Caça aos focos do Aedes Aegypti

Goiás é líder nacional na incidência de dengue e a chegada das chuvas deixa o Estado em alerta. Nas obras, o trabalho de prevenção deve ser feito o ano todo

Entre os meses de janeiro e outubro de 2018, o número de casos de dengue em Goiás aumentou 23,7%, em comparação ao mesmo período em 2017, e já supera o total de registrados feitos em todo o ano anterior, fazendo do Estado o líder nacional na incidência da doença, conforme o Ministério da Saúde. Os números da Secretaria Estadual de Saúde (SES) reforçam ainda mais a necessidade do contínuo trabalho de combate aos focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, já que a chegada do período chuvoso, aliado à altas temperaturas, formam a configuração ideal para proliferação do vetor da dengue e de outras três doenças: chikungunya, Zika vírus e febre amarela.

Os dados acima e o clima úmido e quente abrem oficialmente a temporada de caça aos focos do Aedes aegypti nos canteiros de obras. Em empreendimentos de grande porte como a do Kingdom Park Residence, maior torre residencial do Centro-oeste, esse trabalho de combate ao mosquito é contínuo ao longo do ano, mas passa a ser intensificado com a chegada do período de chuvas.

Para a prevenção dos focos de mosquito no canteiro da obra, que fica próximo ao Parque Vaca Brava, em Goiânia, foi contratada uma empresa que, regularmente, tem borrifado veneno contra o Aedes Aegypti. “O trabalho que eles desenvolveram aqui é semelhante ao que o carro fumacê faz nas ruas”, explica o técnico de segurança do trabalho Ronaldo Rodrigues da Silva.

Ele é enfático ao afirmar que a principal ação de combate ao mosquito é a prevenção. “Colocamos cloro em locais onde a água fica empossada como lonas e semanalmente passamos orientações para que os operários nos ajudem a combater o mosquito, não deixando, por exemplo, copos descartáveis e sacos plásticos espalhados pela obra”, explica o técnico de segurança do trabalho, ao acrescentar que a empresa entende que o trabalho de combate deve ser abraçado por toda a equipe. “O deslize de um pode comprometer a saúde de outro colega”, alerta.

Outras empresas
Para reduzir ao máximo o risco de proliferação, a Toctao Engenharia realiza nas duas obras que mantém em Goiânia, programas contínuos de conscientização e combate aos criadouros do mosquito transmissor da dengue. Cinthia Martins, gestora ambiental da empresa, lembra que o ambiente de obra pode ser muito propício aos criadouros, por isso, o trabalho de combate deve ocorrer o ano todo.

“Para minimizar os riscos, semanalmente realizamos uma ação de limpeza nas obras, onde são recolhidos objetivos e borrifados produtos que combatem o mosquito, para eliminar possíveis focos”, informa. Ela destaca que nas obras há uma atenção redobrada com as lajes, onde a água se acumula facilmente. “Há algumas normas que são cumpridas rigorosamente: tambores de água, que ficam nos pavimentos da obra obrigatoriamente ficam fechados e embalagens de produtos não podem ficar espalhadas e devem, imediatamente, ser depositadas no lixo”, relata.

A gestora ambiental destaca que, sobretudo, o combate a esses vetores se resume em limpeza, organização e conscientização ambiental. Por este motivo, o tema também é tratado em durante palestras de segurança do trabalho e de consciência ambiental. “Aqui trabalhamos o combate aos vetores da dengue o ano todo”, conta.

Dengueiro
Segundo Cinthia, além da cobrança pelo engajamento de todos os colaboradores, em cada obra existe, desde 2010, um dengueiro, treinado pelo Serviço Social da Indústria no Estado de Goiás – Sesi, que é responsável pela fiscalização do canteiro e aplicação das medidas de combate a proliferação do mosquito. “Eles são um suporte. Aqui trabalhamos que todos são responsáveis”, destaca a gestora ambiental.

De acordo com ela, o trabalho de educação ambiental é de formiguinha, que sai do trabalho e passa para casa e, consequentemente, para a comunidade em que o colaborador está inserido. “Aqui plantamos uma sementinha e ela vai dar frutos para a sociedade. A proliferação de doenças relacionadas ao Aedes Aegypt é de responsabilidade de todos”, destaca.

Na FR Incorporadora o combate aos focos do Aedes Aegypti também conta com o trabalho dos dengueiros. De acordo com Raphael Chaul, engenheiro de segurança, a empresa tem dois colaboradores em cada uma de suas obras destacados e treinados pela secretaria municipal de saúde para combater o mosquito. “Cabe a eles verificar diariamente se há focos de mosquito e eliminá-los”, explica o engenheiro de segurança ao destacar que além disso a empresa faz um trabalho de conscientização dos trabalhadores.

O ajudante de pedreiro Edvaldo Braga é um dos caçadores de focos do mosquito transmissor em obras da FR. Atuando na obra do Residencial Parque Goiá, região oeste de Goiânia, o operário tem levado tão a sério que o trabalho que ele faz no canteiro de obras que tem levado as ações para sua comunidade. “Combater esse mosquito é interesse de todos nós, porque ninguém quer ver amigos ou familiares passando por essas doenças”, diz Edvaldo.

Além de conscientizar amigos e vizinhos e combater a proliferação do foco do mosquito, o trabalhador conta tem realizado ações práticas para o combate ao mosquito nas redondezas onde mora. “A gente tem feito mutirões de limpeza na rua para que o mosquito não apareça lá”, revela.

Casos em Goiânia
Dados do Ministério da Saúde alertam para surtos de epidemias do mosquito Aedes Aegypti em 1.153 municípios, em todo território brasileiro. Goiânia registrou até a primeira semana de novembro 26.322 casos de suspeita de dengue, com 15 mortes. Mesmo com números tão elevados, a incidência da infestação diminuiu em relação a 2017, quando 32.447 foram notificados.

Com relação ao Zika Vírus e a Chikungunya, doenças também transmitidas pelo Aedes Aegypti, os números são menores que em 2017, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde. Ano passado foram registrados 80 casos de chikungunya enquanto neste o número de notificações é de 61. Já os casos de Zica caíram de 2.771, no ano anterior, para 356 este ano.

Porém, a gestora ambiental Cinthia Martins alerta que a diminuição dos números de caso das doenças transmitidas pelos Aedes Aegypti não significam que a cidade de Goiânia esteja em situação confortável. Ela destaca que os números são elevados e que conscientização da população é fundamental para que a doença seja controlada. “O mosquito se prolifera em água parada. Toda e qualquer ação, seja lixo, plantas e objetos, que acumulem água devem ser evitados. A dengue, o zika vírus e a chikungunya só se proliferam por falta de higiene”, finaliza.

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