Dia Mundial do Diabetes: panorama e prevenção

14 de novembro é marcado no calendário da saúde como o Dia Mundial do Diabetes, alertando a sociedade para a importância do diagnóstico e prevenção da doença

O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre a prevenção e alertar sobre os perigos da doença. Em 2007, a ONU ‘oficializou’ a data, reconhecendo o diabetes como uma doença crônica que deveria receber atenção global. A escolha pelo 14 de novembro é uma homenagem ao médico canadense Frederick Banting que, junto com o pesquisador Charles Best, realizou importantes pesquisas para a descoberta da insulina, fundamental no tratamento da doença.

Considerado uma epidemia, a incidência de Diabetes no mundo quadriplicou desde 1980 até hoje: de 108 milhões, para 422 milhões. Os dados são da Organização Mundial da Saúde, que prevê ainda que em 20 anos, esse número dobre. No Brasil são mais de 14 milhões de diabéticos, de acordo com o Atlas da International Diabetes Federation e um terço delas não sabe que tem a doença. Esse número representa cerca de 8% da população do nosso país, que é o 4º do mundo em números absolutos de portadores da doença.

O Diabetes Mellitus, ou simplesmente Diabetes, é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue. Pode ocorrer devido a problemas na produção ou na ação da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. “A insulina é que promove a entrada de glicose para as células do organismo, de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. Sua falta ou ação inadequada resulta no acúmulo de glicose no sangue, ou hiperglicemia, que pode trazer uma série de complicações para a saúde”, explica o médico endocrinologista Dr. Walter Minicucci, presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que foi também presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

No caso do diabetes tipo 1, o pâncreas deixa de produzir insulina. É uma doença autoimune e geralmente aparece na infância ou adolescência. Seu surgimento não depende de dieta, sedentarismo ou algum fator claramente sabido. Deve ser tratada com insulina, dieta e atividades físicas. Menos de 10% dos portadores de diabetes têm o tipo 1. O tipo 2 é o mais frequente e é causado por uma resistência ou intolerância à glicose. Muitas vezes a produção de insulina é normal, mas não é usada de forma adequada pelo organismo.

“Em relação às crianças, na faixa até 15 anos, podemos considerar que elas representam de 4% a 5% de todos os diabéticos, lembrando que, se até 20 anos atrás todos pertenciam ao tipo 1, atualmente são observados casos de tipo 2 na população de obesos jovens”, conta o Dr. Marino Cattalini, médico da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP).

Sobrepeso

Conforme dados do Ministério da Saúde de 2015, no Brasil há uma prevalência de indivíduos acima do peso ideal que corresponde a 53% da população, sendo 18% os obesos e 35% os indivíduos com sobrepeso. Para o endocrinologista, uma intervenção em termos de educação alimentar e orientação à prática de atividade física permitiria reduzir estes índices e, consequentemente, reduziria os casos de Diabetes de Tipo 2, comumente associado ao excesso de peso, bem como os casos de pré-diabetes (no Brasil há 11 milhões de pré-diabéticos).

Complicações

“Diabetes é uma doença que, se não tratada, pode trazer complicações extremamente importantes. É a principal causa de amputação de membros inferiores, está entre as primeiras causas de cegueira, insuficiência renal, entre outros problemas”, alerta o Dr. Minicucci. “A descoberta da insulina foi uma verdadeira revolução no combate à doença”, completa.

Com diagnóstico correto, tratamento e acompanhamento médico adequados, o risco de desenvolver outras complicações em decorrência do diabetes se reduz bastante. E, com relação ao diabetes tipo 2, adotar hábitos saudáveis é uma medida bastante eficaz de prevenção.

Novos tratamentos

Estão surgindo análogos da insulina que imitam a secreção basal, com duração maior do efeito e mais estabilidade e previsibilidade, e novos análogos de ação ultrarrápida para melhor imitar a secreção fisiológica na hora da refeição. Há medicamentos orais cada vez mais eficientes e que agem independentemente da insulina eliminando a glicose em excesso por via renal.

Para o Dr. Marino, que é especialista na doença, “a maior novidade deste ano no Brasil pode ser considerada a chegada ao mercado do aparelho que mede a glicemia através de um sensor conectado a um chip, que se encontra num adesivo aplicado ao braço e que permite saber os níveis de açúcar no sangue evitando a famosa ‘furada’ do dedo, que tanto incomoda os diabéticos”.

O médico destaca também o estudo EMPA-REG, apesentado este ano e que comprovou a significativa redução da mortalidade e do risco cardiovascular em um grupo de cerca de 7.000 pacientes com antecedentes de doença cardiovascular, estudados por três anos em vários centros de diferentes países, e comparados com pacientes que não receberam a droga. Eles receberam um tratamento com o medicamento empaglifozina, um inibidor da SGLT2 que elimina a glicose justamente por via urinária, reduzindo não apenas a glicemia média dos pacientes, mas também a pressão arterial.

Mortalidade

O diabetes mata precocemente. Em 2015, no Brasil, 42% dos diabéticos que morreram tinham menos de 60 anos. No mesmo ano, 5 milhões de pessoas morreram no mundo por causa do diabetes, mais que a soma dos óbitos causados por AIDS, tuberculose e malária.

“Considerando que no mundo 12% dos gastos com a saúde são aplicados no tratamento do Diabetes e suas complicações, o ponto principal a ser destacado para o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, deveria ser a prevenção da doença”, conclui Dr. Marino.

Prevenção

Alguns hábitos podem ser adotados para evitar o desenvolvimento da doença ou para melhorar a qualidade de vida que quem jé é portador. Confira as dicas do Dr. Walter Minicucci:

• A prática de exercícios físicos com regularidade ajuda a manter o peso, os níveis de colesterol e o nível de açúcar no sangue;

• Alimentação equilibrada, com todos os nutrientes, colabora para o bom funcionamento do organismo. O ideal é ingerir todos os nutrientes de forma equilibrada: carboidratos para manter a energia; proteínas, que ajudam na construção dos tecidos, assim como frutas, verduras e grãos. Cortar bebidas açucaradas e sucos de frutas integrais.

• Não fumar: diabetes e tabagismo não combinam. O fumo, associado ao diabetes, eleva os riscos de problemas cardíacos e circulatórios, como por exemplo, o pé diabético.

• Controlar a obesidade: aquela gordura abdominal é a mais perigosa – A medida da circunferência abdominal aumentada é um fator de risco para infarto, AVC, pressão alta e diabetes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *