Esporão: dor crônica nos pés do despertar ao adormecer

A fascite plantar, ou esporão, é uma doença descrita como “pisar em pregos” e está associada a fatores como idade, peso e calçados inadequados

Por Karolina Vieira

A rotina de levantar-se e dedicar-se às tarefas diárias sem dúvida é um desafio universal, mas para alguns pode tornar-se ainda mais complicada diante de um problema invisível que pode fazer com que o paciente se sinta “pisando em pregos” ou até mesmo “sendo apunhalado na planta do pé” logo ao pisar o chão para deixar a cama. Trata-se da fascite plantar, inflamação na aponeurose que vai do calcâneo à base dos dedos e é popularmente conhecida como “esporão”.

É importante ressaltar que, enquanto o esporão resulte em pontas na região do calcanhar, o processo degenerativo inflamatório da fáscia plantar pode levar o incômodo a outras áreas da sola do pé. Os relatos de dor são diversos e muitos pacientes sentem-se limitados em atos simples como correr, subir escadas e movimentos semelhantes. Esse é o principal sinal de alerta para se procurar um ortopedista antes que o problema se agrave a ponto de culminar em uma recuperação mais demorada.

No entanto, engana-se quem acha que o tratamento seja complicado apesar da dor intensa que acompanha a doença, como esclarece o médico ortopedista do Centro de Ortopedia Especializada (COE), Bruno Air. “Essa é uma patologia que dói muito. O paciente fica muito incomodado, mas do ponto de vista médico ela é benigna já que não vai trazer nenhum problema para outras articulações ou nada que vá prejudicar o paciente do ponto de vista geral”, explica.

Incluindo exercícios de alongamento que o próprio paciente pode fazer em casa, o uso de palmilhas especiais, calçados de amortecimento adequado e até mesmo a aplicação de bolsas de gelo, a recuperação normalmente não necessita de métodos invasivos e sua duração depende do diagnóstico precoce e da disciplina do paciente. “O tratamento é eminentemente conservador, baseado em bastante alongamento, fisioterapia e medicamentos para controle da dor como antiinflamatório e analgésico”, enumera o ortopedista.

Especialista em cirurgia do pé e tornozelo, Bruno garante que são raros os casos de fascite plantar que terminam no centro cirúrgico. “Antes de operar existem outras opções como ondas de choque. E não havendo sucesso, recorremos ao procedimento cirúrgico, mas é minoria das vezes já que 95% dos pacientes melhoram sem precisar operar”, tranquiliza.

Embora não haja levantamento específico, a experiência clínica aponta para uma prevalência da doença em pessoas com mais de 50 anos, em especial mulheres. Contudo, Bruno Air alerta que o risco de desenvolver uma fascite plantar é praticamente igual para ambos os gêneros e que as medidas preventivas devem ser observadas tanto por homens como por mulheres.

Por isso, além da idade, é importante estar atento ao ganho elevado de peso em pouco tempo, a uso de calçados com amortecimento adequado para a absorção de impacto e preservação do arco do pé de acordo com cada atividade, alongamento muscular após a prática de exercícios, recorrer às palmilhas anatômicas caso seja necessário corrigir alterações anatômicas e evitar tanto calçados muito rasteiros (como as rasteirinhas femininas) ou saltos muito altos por períodos longos.

Ignorar essas recomendações básicas pode colocar em risco mesmo pessoas mais jovens ou magras. É o caso dos atletas de alto nível, como jogadores de futebol, e dos adeptos à prática esportiva eventual como corredores de fim de semana. Isso porque a fáscia plantar é responsável por manter o arco do pé e por proteger de acidentes perfurantes estruturas nobres como veias, artérias e nervos. Quando exposta a condições extremas de impacto e desgaste por tempo prolongado pode acabar causando tanto dano quanto o avanço da idade aliado a outros fatores.

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