Infertilidade: causas, tratamento e prevenção

Saiba quais são as causas mais comuns de infertilidade em homens e mulheres, quando procurar ajuda e que comportamentos podem ser evitados para prevenir o problema

Por Alice Galvão, de Goiânia/GO

No Brasil, o número de filhos por mulher vem caindo ao longo dos anos e cerca de 100 mil casais por ano procuram tratamentos para a infertilidade no país. Estes dados são revelados por pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

As causas da esterilidade são diversas e diferentes para homens e mulheres. “No homem, o problema pode estar tanto na produção dos espermatozoides nos testículos, que é o que ocorre em casos de varicocele (alteração nos vasos), caxumba e outras infecções e torção; quanto no transporte, tendo como principais razões a realização prévia de vasectomia ou malformações que ocorrem desde o nascimento”, explica Dr. Pedro Monteleone, especialista em fertilidade e diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, de São Paulo/SP.

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Dr. Pedro Monteleone, especialista em fertilidade e diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, de São Paulo. (Foto: Divulgação)

Ainda de acordo com o especialista as mulheres podem ter problemas originados nas trompas e as obstruções podem ocorrer por endometriose, infecções ou laqueadura prévia; no útero, quando os miomas e pólipos dificultam o processo de gestação; ou nos ovários, onde o principal motivo é a baixa reserva do número de óvulos, o que ocorre principalmente em mulheres acima de 40 anos, e as dificuldades na ovulação, principalmente nas pacientes portadoras da síndrome dos ovários policísticos.

A Dra. Larissa Garcia Gomes, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), confirma que a síndrome dos ovários policísticos (SOP) causa infertilidade em até 40% das pacientes. A perda de peso está associada com restauração da ovulação em boa parcela dos casos. “O tratamento medicamentoso inicial visa restaurar os níveis de FSH (hormônios) que estão relativamente baixos nas mulheres com SOP e alguns deles conseguem induzir a ovulação em 75% a 85% dos casos. No caso de falha, tem a opção do uso dos inibidores de aromatase e da fertilização artificial”, detalha a médica.

Monteleone explica que os principais tratamentos podem ser divididos em baixa e alta complexidade. “Os de baixa complexidade são aqueles em que os fatores de infertilidade são leves e incluem o coito programado e a inseminação intrauterina. Já os de alta complexidade são aqueles nos quais há a formação dos embriões no laboratório, através de fertilização in vitro, com posterior transferência dos embriões para o útero da mulher”.

Caso real

A funcionária pública brasiliense Flávia Ramos, 36, tentou engravidar naturalmente durante três anos antes de procurar ajuda médica. Com um histórico de vários anos sofrendo com cólicas muito fortes, em 2013 ela precisou fazer uma miomectomia, cirurgia realizada para retirar um mioma uterino ou fibroma (tumor benigno). Ela também foi diagnosticada com adenomiose, que acontece pela presença de tecido do endométrio dentro do músculo do útero. “Já meu marido apresentou uma contagem baixa de espermatozoides vivos ou com pouca motilidade”, revela a paciente, que optou pela fertilização in vitro (FIV). Sua preparação foi fazer acompanhamento com ovulogramas e exames de sangue para monitorar os níveis hormonais, já que o tratamento cirúrgico para eliminar a adenomiose poderia comprometer a integridade do útero. Seu marido, fez tratamento com antibióticos e vitaminas.

Flávia conta que após a transferência embrionária precisou ficar de repouso e acompanhar o desenvolvimento da possível gestação por meio de ultrassonografias, pois o tipo de tratamento aumenta o risco de ocorrer gravidez ectópica ou tubária (que acontece fora do útero). “Quando foi constatada a gestação, passei um período sem fazer atividades físicas, além de usar progesterona. Como não apresentei nenhum sintoma de descolamento de placenta ou outra situação grave que pudesse comprometer a geração, não precisei fazer nada diferente de qualquer outra gravidez considerada normal”, relata Flávia, que completa 40 semanas de gestação no dia 9 de abril.

Diagnóstico

Pedro Monteleone ressalta que toda pesquisa de infertilidade deve ser iniciada após um ano de tentativas regulares, sem o uso de métodos contraceptivos, sendo que em pacientes acima de 35 anos este tempo diminui para seis meses. “Após este período, alguns exames podem ser solicitados para identificar a causa desta dificuldade para o casal engravidar. Para o homem, o espermograma é o principal exame. Já para a mulher, podem ser solicitados ultrassom transvaginal com contagem de folículo antral, histerossalpingografia, dosagem de FSH basal e Hormônio Antimulleriano. Outros exames ainda podem ser acrescentados, dependendo das suspeitas clínicas”, explica o médico.

Comportamentos de risco

Além dos fatores biológicos, existem alguns comportamentos de risco para o desenvolvimento da infertilidade. O consumo de algumas substâncias, como o álcool, por exemplo, pode provocar diminuição na taxa de gravidez de um casal. “O tabagismo também é um fator importante, assim como o uso de algumas medicações, como os antidepressivos. Além disso, a obesidade é sabidamente uma condição bastante relacionada à dificuldade em engravidar. É recomendada a perda de peso para aumentar as chances de gestação”, avisa o médico.

Sobre a possibilidade de reversão da infertilidade, o especialista pondera que depende da causa do problema. “Em casos de laqueadura e vasectomia, por exemplo, a cirurgia de reversão é efetiva”, pontua.

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