Obesidade na adolescência: o que pode ajudar

Levantamento feito pela pesquisa nacional de saúde escolar (PENSE) aponta que o índice maior de obesidade é entre os meninos. Mais de 7% dos estudantes brasileiros estão obesos

Estudos realizados pela OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que a obesidade entre crianças e jovens aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. E esse quadro tem se agravado, é o que aponta a recente PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar). Segundo o levantamento, 7,8 % dos estudantes brasileiros com idade entre 13 e 17 anos estão obesos. A situação é pior entre os meninos, onde o índice chega a 8,3%. Nas meninas é um pouco menor: 7,3%.

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Dr. Luiz Henrique Sousa Filho

A obesidade é uma doença que se tornou um problema de saúde pública e se as tendências atuais continuarem, haverá mais crianças e adolescentes com obesidade do que com desnutrição moderada e grave até 2022, de acordo com a OMS. O médico gastroenterologista Luiz Henrique de Sousa Filho, da Clínica Cirúrgica Digestiva e Obesidade (CCDO), destaca que o problema é muito sério, porque se a criança ou adolescente estiver obeso provavelmente esse quadro se estenderá até a fase adulta.

“Devemos levar em consideração os fatores genéticos, mas é necessário destacar que os hábitos de vida são cruciais nesse processo. O sedentarismo somado com uma alimentação inadequada pode levar a obesidade e outras doenças, como diabetes e hipertensão”, afirma. O médico ressalta ainda que os pais precisam ficar atentos e inserir hábitos saudáveis na rotina das crianças e adolescentes evitando o consumo de doces, refrigerantes e alimentos industrializados, por exemplo. Na fase infantil e na adolescência também é comum relatos de crianças e jovens que sofrem bullying por estarem acima do peso. Esse problema crônico agrava os casos de obesidade porque a pessoa sofre com “piadinhas” desagradáveis sobre sua condição física e essa crítica gera compulsão alimentar e mais ganho de peso, em um ciclo vicioso.

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Maíra Azevedo

O melhor caminho é a prevenção para não chegar no quadro de sobrepeso ou obesidade. Segundo a nutricionista, Maíra Azevedo, os maiores causadores da situação são os hábitos alimentares inadequados da família, sedentarismo ou uma combinação desses fatores. “Se a família tem uma alimentação inadequada isso irá refletir diretamente no estado nutricional do adolescente. O primeiro passo é a família acolher o adolescente e se esforçar para uma melhora da alimentação de todos, além de iniciar o processo de reeducação alimentar junto com ele. Também é necessário que a família estimule a prática de exercício físico e proporcione acompanhamento psicológico, que é extremamente importante nessa fase”, afirma.

Maíra afirma que sem contar com o apoio da família é praticamente impossível ajudar o adolescente a ter hábitos alimentares saudáveis. “Já acompanhei famílias que comiam tudo errado e queriam que apenas o adolescente se alimentasse corretamente. Todos tomavam refrigerante na frente dele, comiam ‘besteiras’ e, infelizmente, assim é impossível obter resultados. As famílias que acompanham a reeducação alimentar do adolescente têm bons resultados”, diz.

Procedimentos
Além da reeducação alimentar, nos casos em que a doença já se instalou são necessárias intervenções que devem ser acompanhadas por uma equipe multidisciplinar. O médico alerta que existem procedimentos que podem ser iniciados a partir dos 12 anos de idade. “Além da reeducação alimentar, prática de atividades físicas e medicações inibidoras de apetite – que devem ser usadas com muita cautela -, outros tratamentos como a utilização do balão intragástrico nesse tipo de paciente podem ser adotados”, explica Luiz Henrique Filho.

Nos jovens a partir de 16 anos procedimentos como endossutura gástrica (gastroplastia endoscópica), técnica realizada por endoscopia que ajuda a reduzir a capacidade do estômago e provoca no paciente uma sensação de saciedade precoce, também pode ser uma saída. A partir dessa idade, em casos mais graves também podem ser realizadas as cirurgias bariátricas.

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