Alimentação para crianças autistas

Alguns alimentos como o glúten, quando mal digeridos, podem potencializar irritabilidade e hiperatividade nas crianças. Além disso, a subnutrição atrapalha no aprendizado

Por Karolina Vieira, de Goiânia/GO

O autismo é um dos mais conhecidos entre os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento, caracterizado por um prejuízo severo na interação social e comunicação, com comportamentos estereotipados e limitação em atividades. Junto ao autoisolamento, a maioria das crianças autistas manifestam agressividade, irritabilidade, autoagressão e hiperatividade. A constante luta das famílias e organizações sociais vem fazendo com que o poder público e a sociedade em geral conheçam cada vez mais sobre a síndrome. Com o objetivo de minimizar os sintomas causados pela síndrome e proporcionar melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, existem muitas intervenções multidisciplinares, incluindo a intervenção nutricional.

Segundo a nutricionista do Centro Goiano de Reabilitação Neurofuncional, Laura Vieira, é muito comum o direcionamento de pacientes autistas para clínicas gastrenterologia pediátrica devido a algumas características comuns entre eles como: constipação, diarreia, distensão abdominal, dores abdominais, gases e vômitos. “Por causa da grande proporção de crianças autistas com desconfortos gastrointestinais, foi levantada hipóteses sobre a possível relação entre autismo e distúrbios do metabolismo proteico, da permeabilidade intestinal anormal e alergia alimentar”, afirma.

Esses pacientes apresentam deficiência enzimática e permeabilidade intestinal anormal, que inibe a digestão completa da proteína presente nos alimentos. Essa condição leva à formação de grande quantidade de fragmentos de proteína (peptídeos) dentro do intestino, que possuem ação farmacológica semelhante ao ópio, uma substância estimulante que provoca hiperatividade e déficit de atenção. Para alguns pesquisadores, além de “produzir” o ópio, o glúten e a caseína causam a sensação de prazer, que por sua vez causam hiperatividade, falta de concentração, irritabilidade, dificuldade na interação da comunicação e sociabilidade.

“Alguns alimentos podem intensificar os sintomas dos autistas, como a farinha de trigo (glúten) e o leite e derivados (caseína). Quando eles são retirados da dieta dos autistas, geralmente eles ficam mais calmos e ocorre melhora da atenção e concentração. A partir dessas hipóteses foi desenvolvida a dieta gluten free e casein free, com o intuito de melhorar a qualidade de vida das crianças autistas, diminuindo os sintomas de isolamento social e aumentando o interesse em realizar atividades. O autista é incapaz de tirar o total proveito das terapias comportamentais se tiver um cérebro desnutrido, inflamação gastrointestinal ou acúmulo de compostos tóxicos – fatores que prejudicam a comunicação cerebral. Por isso, a alimentação é fundamental”, enfatiza Laura.

O mais recomendado para esses pacientes é uma alimentação com pouca açúcar e o mais natural possível, rica em verduras e frutas, carboidratos de baixo índice glicêmico, proteína animal (ou não, caso a família opte por uma alimentação vegetariana) e oleaginosas, afim de suprir as necessidades de vitaminas e minerais. É aconselhável excluir o máximo possível de alimentos industrializados e processados já que eles aumentam a toxicidade gastrointestinal. Cuidando sempre do intestino onde ocorrem bastante alterações nas crianças com a síndrome. “Qualquer planejamento nutricional e alteração alimentar do autista deve ser acompanhado rigorosamente pelo profissional nutricionista para não acontecer distúrbios alimentares, desnutrição e déficit de nutrientes”, finaliza.

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