Atendimento rápido pode evitar sequelas do AVC

Conhecer os primeiros sintomas e levar o paciente para unidade de atendimento especializada são fatores importantes para a redução ou eliminação de sequelas

Por Hugo Oliveira, de Goiânia/GO

É importante que a família conheça primeiros sintomas e leve o paciente para unidade de atendimento especializada. A medicina dispõe hoje técnicas alternativas que tem maior eficácia na O recente falecimento da ex-primeira dama Marisa Letícia, chamou a atenção para um mal que age de forma silenciosa, mas que infelizmente é a primeira causa de mortes naturais e de incapacidade no Brasil: o AVC – Acidente Vascular Cerebral, popularmente conhecido como Derrame. A doença vascular, da qual faz parte o AVC isquêmico, que gera grande impacto econômico e social: hoje, aproximadamente, 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às sequelas; 50% ficam dependentes. Os dados são da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.

Apesar de atingir com mais frequência indivíduos acima de 60 anos, o AVC pode ocorrer em qualquer idade, inclusive nas crianças. Vem crescendo entre os jovens, ocorrendo em 10% de pacientes com menos de 55 anos. A Organização Mundial de AVC (World Stroke Organization) prevê que uma a cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo de sua vida. No Brasil são mais de 68 mil óbitos por ano.

Apesar da sua gravidade, especialistas afirmam que, em pelo menos 50% dos casos, as sequelas podem ser evitadas ou amenizadas se o paciente receber o devido atendimento em tempo hábil – até seis horas após o acometimento dos primeiros sintomas.“Quanto mais cedo, maiores são as chances de sucesso no atendimento”, diz o médico neurorradiologista  intervencionista, Cláudio José Leão, que integra a equipe do Instituto de Neurologia de Goiânia. Ele explica que, neste tipo de ocorrência, tempo perdido é cérebro perdido: a cada minuto que o cérebro passa em isquemia, 2 milhões de neurônios são perdidos, apontam os estudos.

O alerta é válido para toda a família, ressalta o médico, que considera ser importante que todos em casa estejam informados sobre a doença e seus sintomas porque o paciente normalmente apresenta confusão mental quando acometido pelo AVC e pode não ter condições de fazer, por si próprio, o diagnóstico dos sintomas. Estatísticas apontam que, em Goiás, o desconhecimento sobre o AVC é maior que em outras regiões do País, como os estados da região Sul e Sudeste .

“O problema é que a família normalmente não desconfia que trata-se de um AVC e percorre um itinerário prolongado até chegar em uma unidade de saúde especializada”, diz. Por isso, o desconhecimento dos sinais da doença por grande parte da população, a burocracia e a falta de estrutura das unidades de saúde, em especial as públicas, no atendimento primário constituem um sério entrave para que pacientes vítimas da doença tenham chances de êxito no tratamento.

Doutor Cláudio explica, no caso do AVC isquêmico, que é o mais comum e representa cerca de 75% do total desta doença – e é gerado por entupimento da artéria – normalmente o paciente costuma apresentar paralisia de um lado do corpo ou entortar a boca. “Hoje, para este tipo de AVC, já existe uma técnica de retirada do coágulo que causa obstrução da circulação do sangue dentro das artérias do cérebro por meio de cateterismo (trombectomia), que permite ir com o cateter até o vaso do cérebro que está entupindo a circulação para retirar o coágulo”, explica.

O tratamento ganhou evidência na comunidade médica a partir de 2015, quando estudos científicos foram publicados comprovando sua segurança e eficácia: as chances são 2,5 vezes maiores de ficar independente com o procedimento do que com o tratamento com medicamentos trombolíticos. O procedimento é de média complexidade e pode ser feito com anestesia local e dura cerca de 60 minutos.

O médico Cláudio Leão explica que, no caso do AVC hemorrágico, causado por pelo rompimento de uma artéria com derramamento de sangue, a conduta é diferente, mas o atendimento rápido também influencia na diminuição de sequelas. Um sintoma presente neste tipo de ocorrência são fortes dores de cabeça.

Sinais e sintomas de alerta são :
Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo
Confusão, alteração da fala ou compreensão
Alteração na visão (em um ou ambos os olhos)
Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar
Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

LIGUE imediatamente para o número 192 (SAMU), ou para o serviço de ambulância de emergência da sua cidade, para que possam enviar o atendimento a você. Outra orientação importante é anotar a hora em que os primeiros sintomas apareceram.

Fatores de risco para a incidência:
Hipertensão;
Diabetes;
Tabagismo;
Uso de anticoncepcionais;
Consumo frequente de álcool e drogas;
Estresse;
Colesterol elevado;
Doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias;
Sedentarismo;
Doenças hematológicas

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