Câncer: Inovações e cuidados sistêmicos

Goiânia recebeu, de 18 a 20 de maio a sétima edição do Goiânia Breast Cancer Symposium. Considerado o maior evento nacional de pesquisa em câncer de mama, o GBCS 2017 reuniu autoridades médicas e da área da saúde, em uma extensa programação científica.

Por Alice Galvão, de Goiânia/GO

De acordo com o Dr. Ruffo de Freitas Júnior, membro da comissão organizadora do evento, passaram pelo Castro’s Park Hotel, aproximadamente 450 participantes nos três dias de simpósio, com 170 convidados nacionais e 11 internacionais. Em entrevista ao NS, o médico destacou alguns dos pontos de discussão mais importantes da programação científica. “Alguns pontos são bem importantes, entre eles, por exemplo, novas técnicas de detecção do câncer de mama, novas técnicas para marcar as lesões muito pequenas, buscá-las, identificá-las e removê-las, fazendo com que a paciente tenha muito mais conforto e fazendo com que haja uma precisão muito maior”, pontuou. Dentre estas técnicas estão, por exemplo, o uso de carvão ativado e cápsulas de iodo, como veículos de localização mais precisa do tumor.

Outro ponto destacado pelo profissional foi o estudo de técnicas relacionadas ao tratamento sistêmico. “Nós sabemos que a endocrinoterapia é um dos principais aspectos para o tratamento do câncer de mama. Em torno de 70% das mulheres com câncer de mama usa medicações. Dentro destas medicações, nós queremos saber qual é a sua difusão na gordura corporal”, explica. A pesquisa citada pretende estudar se interação entre medicamento e gordura beneficia ou prejudica o tratamento.

Além disso, o simpósio também trouxe à classe médica o estudo sobre a utilização de cápsulas de guaraná para a redução da fraqueza em mulheres que estão em curso de quimioterapia. “Esse é um trabalho sensacional e mostra alguma coisa que é nossa (guaraná), de baixo custo e com todo o vigor científico”, ressalta Dr. Ruffo.

Trabalhos relacionados às técnicas cirúrgicas também foram destacados, mostrando como está a reconstrução mamária de mulheres que são submetidas à mastectomia ou outras técnicas, principalmente em pacientes atendidas pelo SUS e no contexto da lei de reconstrução mamária no país.

“Nós temos uma riqueza de conteúdo, que vai desde epidemiologia até a reabilitação da paciente, passando por todos os aspectos do diagnóstico, do tratamento, da radioterapia, da cirurgia, e chegando ao tratamento sistêmico e à reabilitação”, pontua.

O evento é realizado anualmente, sempre no mês de maio, geralmente no final de semana seguinte ao dia das mães. “Para o ano que vem nós devemos mudar de Goiânia Breast Cancer Symposium para Brazilian Breast Cancer Symposium. Já faço o convite para de 17 a 19 de maio de 2018. Sempre em Goiânia!”, finaliza.

Voluntariado

Dentro da programação do evento, o Fórum do Voluntariado homenageou Maria Antonieta Regel Dutra, fundadora da Associação de Portadores de Câncer de Mama (APCAM) e Lírio Cipriano, diretor executivo do Instituto Avon e discutiu questões relacionadas à formatação, importância e dificuldades deste serviço social. Coordenado por representantes de diferentes organizações, foi uma oportunidade de troca de experiências e informações entre as instituições.

“O voluntariado e a ajuda vão além da questão financeira”, defendeu Deliane de Oliveira Alfaiate (foto), falando em nome da Associação de Portadores de Câncer de Mama (APCAM), vinculada ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. Em sua fala, a diretora da entidade explicou que algumas pacientes vão até o hospital para receber o tratamento, mas não têm dinheiro para voltar para casa ou para se alimentar. “Nós fornecemos café da manhã, almoço, lanche”, revela.

Assim como Deliane, apresentaram também seus testemunhos representantes da Associação de Combate ao Câncer de Goiás (ACCG), Cebrom, UNACCAM (União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama), dentre outras.

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