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Ciúme patológico

Ciúme patológico

ciúme patológicoPor Caroline Braga

O ciúme, na vida amorosa, é uma emoção humana extremamente comum e avaliada por muitas pessoas como um sinal de amor e cuidado com a relação. Essa visão, no entanto, mascara a gravidade desse tema e reforça a linha imprecisa existente entre o ciúme “normal” e patológico, o que tem acarretado consequências físicas, psicológicas e relacionais sérias e até mesmo irreversíveis à vida das pessoas.

Todos nós, em algum momento, manifestamos uma reação de ciúme frente à percepção de uma ameaça e presença de um rival, e consequentemente agimos de maneira a eliminar os riscos de perder o outro e seu amor. Essa manifestação assume um caráter normal quando aparece como algo transitório, especifico e baseado em fatos reais, não apresentando maiores consequências na vida dos sujeitos.

Entretanto, o ciúme pode assumir um caráter patológico quando envolve um medo desproporcional de perder o parceiro para um rival, desconfiança excessiva e sem bases em fatos reais. Tais sentimentos fazem com que o ciumento apresente pensamentos repetitivos de traição que culminam em comportamentos de verificação de suas dúvidas e controle sobre a vida do parceiro. Essa crença superestimada de infidelidade exige acompanhamento psiquiátrico e psicológico, e comumente coexiste com diagnósticos psiquiátricos tais como transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos de personalidade, depressão e em até 34% dos casos de alcoolismo.

As consequências do ciúme patológico são graves e geram elevado estresse psíquico para o ciumento e seu parceiro. São comuns a presença de ansiedade, depressão, insegurança, raiva e medo. Prejuízos na vida laboral, lazer, sociabilidade e relacionamento interpessoal também estão presentes. Infelizmente, é cada vez mais comum a presença de violência física, homicídios e suicídios.

Apesar das estatísticas policiais sobre as vítimas de ciúme patológico serem distorcidas, visto que muitos temem a denuncia, é frequente histórias de atitudes violentas motivadas por essa emoção. As vítimas são de ambos os sexos e diferentes classes sociais, abarcando inclusive figuras públicas e celebridades, como o caso recente envolvendo a atriz Luiza Brunet que virou manchete nos meios de comunicação do País.

Portanto, é de grande importância que o papel positivo assumido pelo ciúme seja discutido e suas consequências psicológicas e físicas sejam divulgadas. Diálogos sociais que lançam luz sobre o tema favorecem uma melhor precisão da linha tênue que separa o ciúme “normal” e patológico, servindo não só como fonte preventiva do problema, mas também oferecendo acolhimento e caminhos de ajuda para aqueles que sofrem com essa patologia.

Caroline Braga é psicóloga, especialista em neuropsicologia, atua também como psicológa clíninca na abordagem congntivo-comportamental.

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