Como identificar a Alopecia Frontal Fibrosante

Pouco vista nos consultórios médicos, a doença causa queda irreversível do cabelo e tem registrado números cada vez maiores nos últimos anos em todo o mundo

Por Rebeca Saroba dos Santos, de São Paulo/SP

Realizado anualmente nos Estados Unidos, o Annual Meeting/ Academy American of Dermatology (em português Encontro Anual da Academia Americana de Dermatologia) abordou as novidades em tratamentos capilares e tecnologias para o antienvelhecimento. Entre os principais temas do encontro, a Alopecia Frontal Fibrosante (AFF) foi amplamente discutida.

A doença é pouco conhecida e foi descrita pela primeira vez em 1994, e é caracterizada pela perda progressiva dos pelos da linha anterior dos cabelos e das sobrancelhas. Alguns pacientes queixam-se de coceira, dor ou ardor no couro cabeludo, outros apresentam também queixa de redução de pelos corporais.

De acordo com a dermatologista especialista em tricologia, Dra. Anna Cecília Andriolo, a Alopecia Frontal Fibrosante (AFF) é um tipo de queda de cabelo que ocorre mais em mulheres do que em homens, principalmente após a menopausa. “Não sabemos ainda ao certo qual a sua causa ou gatilho. Sabemos, porém, que ocorre uma inflamação seguida de morte do folículo, causando uma ‘cicatriz’. E ela é considerada uma queda de cabelo irreversível”, conta a tricologista.

O diagnóstico correto e o tratamento são importantes para estabilizar e evitar a progressão da doença, porém essa identificação precoce é a melhor maneira de evitar a perda definitiva dos fios.

Entre os sinais que podem levantar a suspeita desta doença estão:

*Perda das sobrancelhas – Acontece em mais de 50% dos casos e geralmente é um dos primeiros sinais da doença. Uma dica da especialista é procurar um dermatologista sempre que notar qualquer alteração das sobrancelhas.

*Queda dos pelos no corpo – Assim como a queda das sobrancelhas, alguns pacientes apresentam queda dos pelos do corpo, principalmente braços e pernas. Se os pelos estão diminuindo espontaneamente vale a pena pesquisar pelos outros.

*Pápulas na face – É comum o aparecimento de irregularidades na face, como se fossem pequenos relevos que deixam a pele áspera. Antes de procurar por tratamentos a laser e estéticos, é preciso verificar se além desta alteração de pele não há sinais de Alopecia Frontal Fibrosante.

*Manchas escuras na face – A AFF pode se apresentar com algumas manchas escuras no rosto e que podem ser confundidas com o Melasma. Somente com a avaliação cuidadosa do dermatologista é capaz de diferenciar as doenças.

*Manchas vermelhas na face – Aparecem em pessoas de pele mais clara e se confundem ou complementam a um quadro de Rosácea. É importante pesquisar sinais de Alopecia Frontal Fibrosante em pacientes que ficam vermelhos e ruborizados com determinados gatilhos.

*Sinais perifoliculares – Coceira, descamação e vermelhidão em torno dos folículos na orla do couro cabeludo são bem característicos da Alopecia Frontal Fibrosante. Segundo Anna Cecília, neste caso, um exame bem feito por parte do dermatologista já é suficiente para a suspeita da doença e sugestão da biópsia para confirmação do quadro.

*Recesso da linha de implantação capilar – Esse já é um sinal mais avançado da doença. O Ideal é fazer o diagnóstico antes que esse recesso da linha de implantação capilar aconteça. A testa vai ficando cada vez mais larga, habitualmente esses fios perdidos não voltam a crescer.

*Veias frontais visíveis – Este é um sinal descrito recentemente e ainda não é assumido por alguns dermatologistas, mas já foi publicado em artigos científicos e é um sinal a mais para suspeitarmos de Alopecia Frontal Fibrosante. Trata-se de observar veias mais proeminentes e destacadas na região da testa.

Segundo a Dra Anna Cecília, é muito importante procurar um dermatologista se tiver algum dos sinais, pois quanto antes a doença for tratada, menores serão os transtornos para o paciente e mais positivo será o tratamento, já que a doença é irreversível.

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