Cuidados na busca pela beleza

Em entrevista ao Notícias da Saúde a cirurgiã plástica carioca Carolina Paiva Rebouças (foto), que também é membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro, fala sobre a conceituação dos termos “procedimento médico” e “procedimento estético”, além de dar sua opinião sobre as questões que envolvem a polêmica em torno da realização de procedimentos estéticos por profissionais da saúde não médicos e do mercado da beleza e os cuidados na busca pela beleza. Confira:

carolina paiva rebouças

NS – Quais são as diferenças entre procedimento médico e procedimento estético?

CPR – São termos independentes. O procedimento estético é um termo usado para designar qualquer tipo de procedimento que tem por finalidade a melhora estética de alguma região do corpo ou da face. Procedimento médico é qualquer procedimento, seja ele estético ou não, que seja realizado por um médico. São conceitos amplos, que podem ou não estar relacionados. Existem procedimentos estéticos que, na teoria, são restritos a médicos. Como por exemplo a lipoaspiração, que é um procedimento cirúrgico estético que só pode ser realizado por um cirurgião plástico.

NS – Quais são os pré-requisitos para que um profissional possa realizar procedimentos invasivos não cirúrgicos e pequenas cirurgias, visto que esta prática tem sido cada vez mais comum em clínicas não médicas e por profissionais de diferentes áreas, como fisioterapeutas, esteticistas, odontólogos etc?

CPR – A cultura que impera no mercado, atualmente, é totalmente financeira, visando o lucro. Como a área da estética é uma área que sempre teve bastante procura e continua tendo, diversos profissionais que não são aptos ou autorizados para realizar muitos procedimentos estéticos, estão fazendo. O pior de toda essa história é que os conselhos individuais de cada área estão autorizando esse trabalho. Até bem pouco tempo, por exemplo, os dentistas só eram autorizados a utilizar toxina botulínica em seu consultório se fosse para fins terapêuticos e não estéticos e, atualmente, já liberaram para uso estético. Ainda mais grave é o caso de profissionais como biomédicos, farmacêuticos, que não possuem conhecimento anatômico para realizar este tipo de intervenção, colocando em risco a saúde do paciente. Para fazer determinado procedimento, estético ou não, é imperativo que o profissional tenha capacidade de assumir e tratar quaisquer complicações que, por ventura, possam ocorrer. Só que a maioria destes profissionais não possuem essa formação e acabam encaminhando os pacientes com complicações para nós, cirurgiões plásticos, resolvermos. Acredito e espero que com o tempo isso fique mais evidente: o paciente vai saber destes casos e optar pelo profissional realmente qualificado para isso. Os preços mais baratos que eles naturalmente oferecem, a longo prazo saem mais caro, muitas vezes. A medicina estética não é uma especialidade médica reconhecida pelo conselho federal de medicina e um médico, além dos 6 anos de faculdade, estuda no mínimo mais 3 para ser um dermatologista ou mais 5 para ser um cirurgião plástico.

NS – Qual é a frequência com que pacientes procuram o seu consultório para reparar procedimentos malsucedidos?

CPR – Ultimamente essa frequência tem aumentado. No último mês, por exemplo, dois pacientes chegaram com sequelas de complicações realizadas por não médicos. Uma complicação de preenchimento em face e outra de Bichectomia. Nossa especialidade é a de cirurgia plástica estética e reparadora, portanto, também possuímos o conhecimento para tratar qualquer eventual complicação com segurança.

NS – Como você vê este atual panorama da proliferação dos tratamentos estéticos invasivos em clinicas não médicas e sendo oferecidos por preços cada vez mais acessíveis?

CPR – Vejo como o caos se instalando. O paciente que procura preço, não procura qualidade, e isso é um perigo! Mas hoje em dia, com a informação tão disponível e ao alcance de todos, é uma escolha que o paciente faz muitas vezes: preço em detrimento de capacitação. Quando se trata da nossa saúde, e isso engloba também os procedimentos estéticos, não é o preço que deve nortear a escolha de quem vai lhe tratar.

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