GORDOFOBIA: o preconceito em tamanho GG

Por Caroline Dias Braga

gordofobiaA imposição de padrões de beleza na sociedade tem gerado sofrimento a muitas pessoas. Dentre esses padrões, a magreza assume papel relevante e com frequência coloca a obesidade como sinônimo de incompetência e descontrole emocional. Esse cenário, no entanto, não só gera prejuízos àqueles que incessantemente buscam adequar-se aos padrões da “magrocracia” vigente, como também estimula a “gordofobia” e a desvalorização de indivíduos obesos.

Nos dias atuais, estima-se que 40% da população brasileira encontra-se acima do peso. Essa incidência aponta para a necessidade de reflexões sobre as múltiplas causas da obesidade, de suas consequências à saúde física e emocional dos indivíduos, e, sobretudo, da contribuição social para sua manutenção e enfrentamento desses números.

Infelizmente, a obesidade é muito vinculada à determinação do indivíduo, desconsiderando todos os fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos que envolvem a questão. Com frequência, pessoas obesas são estigmatizadas como incompetentes, ansiosas, incapazes, preguiçosas e “problemáticas” e sofrem duros julgamentos por não se adequar fisicamente às exigências sociais. Existe uma preocupação social com o estético em detrimento da saúde física e emocional desses indivíduos.

Esse cenário expõe as pessoas obesas a situações vexatórias e fóbicas, o que torna o preconceito o maior efeito adverso da obesidade. A “gordofobia” – termo utilizado no mundo virtual – parece ser uma realidade comum, facilmente exemplificada pelo aumento do número de pessoas que evitam contratação profissional de pessoas obesas, relacionamentos com “gordos” e que fazem do número da balança um critério de valorização dos indivíduos.
Como resultado dessa rejeição, um grande número de obesos sentem-se desmotivados, envergonhados e desesperançosos. Há ainda um aumento da ansiedade, tristeza, sentimento de menos valia e baixa autoestima que só colaboram para a manutenção do comportamento alimentar.  Em alguma medida, a “gordofobia” retroalimenta a obesidade.

Assim, reflexões sobre as inúmeras variáveis envolvidas na obesidade e sobre o papel da sociedade na manutenção dos padrões de beleza favorecem uma melhor aceitação das diferenças e a percepção de que, infelizmente, GRANDE mesmo é o preconceito.

Caroline Dias Braga é psicóloga, especialista em neuropsicologia, atua também como psicóloga clínica na abordagem cognitivo-comportamental. Tem experiência em transtorno alimentar, de aprendizagem, de ansiedade e em TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Há cerca de 4 anos, trabalha como psicóloga e neuropsicóloga no setor de internação do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), em Goiás, que é referência no atendimento a pessoas com necessidades especiais. Em seu consultório, atende como psicóloga e neuropsicóloga crianças, adolescentes, adultos e idosos.

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