A importância da cirurgia plástica reparadora

O atendimento da criança vítima de escalpelamento em Anápolis mostra a importância do trabalho do cirurgião plástico em procedimentos reparadores

Por Rosane Cunha

Normalmente associada a procedimentos estéticos e embelezadores, a cirurgia plástica tem também um grande papel social e reparador no atendimento a pacientes com deformações congênitas ou adquiridas, como sequelas de queimaduras, câncer e traumas.

No domingo, 19 de março, uma equipe de cirurgiões plásticos de Goiânia teve uma atuação fundamental no atendimento a uma criança de 11 anos, cujo couro cabeludo foi arrancado enquanto ela conduzia um kart no Kartódromo Internacional de Anápolis.

A menina, inicialmente atendida em um hospital de Anápolis, foi transferida para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, onde foi submetida a uma cirurgia plástica. O delicado procedimento para reimplante do tecido arrancando no acidente, segundo o cirurgião plástico Rafael Panisi de Campos Meirelles, que integrou a equipe de atendimento, durou oito horas e envolveu cinco cirurgiões.

O caso da criança acidentada em Anápolis é similar a outros também envolvendo karts. Em 2013, uma jovem, então com 23 anos, teve o couro cabeludo arrancado em um acidente com um kart em um parque temático de Santa Catarina. Em julho de 2015, uma acadêmica de medicina, de 24 anos, também teve seu cabelo preso e arrancado pelo motor de um carro de kart em que corria em um shopping do Rio de Janeiro. Nos dois casos, o trabalho da cirurgia plástica foi de grande importância para a recuperação das pacientes, vítimas de escalpelamento.

O aumento das cirurgias reparadoras

Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Goiás (SBCP-GO), o médico Luiz Humberto Garcia de Souza, chama a atenção para a importância da cirurgia plástica reparadora, que contribui para devolver a autoestima e reestabelecer funções perdidas por pacientes. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e divulgada no ano passado constatou um grande crescimento das cirurgias plásticas reparadoras entre 2009 e 2014.

De acordo com a pesquisa, em 2009, de 629 mil cirurgias plásticas feitas no Brasil, 170 mil (27%) foram reparadoras. Em 2014, esse tipo de cirurgia já representava 40% do total de 1, 23 milhão de operações plásticas feitas no País.

As cirurgias reparadoras mais comuns em 2014 foram as de tumores de pele (39,9%), defeitos congênitos (12%), reconstrução mamária (8,4%), procedimentos em pacientes vítimas de acidentes urbanos (7,1%) e em vítimas de acidentes domésticos (6,4%).

Médicos participam de ações humanitárias em Goiás

Uma parte das cirurgias reparadoras tem sido feita pelos cirurgiões plásticos em serviços públicos ou de forma voluntária em campanhas humanitárias, como as campanhas Cirurgia Plástica Solidária, promovida pela SBCP-GO no primeiro semestre de 2016, e Reconstrução Mamária, realizada pela SBCP como apoio de suas Regionais no segundo semestre. Ambas atenderam pacientes que necessitavam de cirurgias reparadoras e não tinham condições de arcar com os custos dos procedimentos.

Nesta semana, médicos goianos estão participando de uma ação humanitária voltada para a realização de cirurgias reparadoras. A campanha, que acontece com o apoio da SBCP-GO, Departamento de Ação Social da SBCP e Fundação Ideah, faz parte das atividades da 30ª Jornada Centro-Oeste de Cirurgia Plástica, que acontecerá em Goiânia entre os dias 30 de março e 1º de abril.

As cirurgias começaram na última quarta-feira (22) e serão intensificadas na próxima semana com a operação de cerca de 80 pacientes já cadastrados pelos Serviços de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Hospital Geral de Goiânia e Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Serão realizados procedimentos, como cirurgias de mama, ginecomastia (redução de mamas em homens), correção de “orelha de abano” e de “barriga de avental”.

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