Mais autonomia no avanço dos sintomas de Parkinson

Novo medicamento oferece aos brasileiros diagnosticados melhor controle durante o avanço dos sintomas de Parkinson

Por Mônica Batista, de São Paulo

O mesilato de rasagilina chega ao Brasil prometendo melhorar a qualidade de vida do paciente durante o avanço dos sintomas de Parkinson. Ao promover mais controle motor durante dia e noite, com segurança e boa tolerabilidade em todas as fases da doença, o medicamento permite ao paciente manter por mais tempo a autonomia em suas atividades diárias.

A doença de Parkinson é a segunda enfermidade neurológica crônica mais comum em adultos, após a doença de Alzheimer. Crônica e progressiva, ainda não tem cura. É causada principalmente pela queda dos níveis de dopamina no cérebro ao longo do tempo. Existem cerca de 4 milhões de pessoas no mundo com Parkinson, de acordo com a ONU. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, há a previsão que esse número dobre até 2040. No Brasil, estima-se que 250 mil pessoas tenham a doença.

Tradicionalmente associada com sintomas motores (como tremores, rigidez, lentidão do movimento, desequilíbrio, andar arrastado ou perda de expressão facial), também ocorrem sintomas não motores, tais como depressão, dor, disfunção cognitiva e desordens de sono. Atualmente, o paciente conta com diferentes estratégias terapêuticas para controlar o avanço dos sintomas de Parkinson.

Comprovação científica

“A rasagilina é um inibidor da MAO (enzima monoamina oxidase). Pode ser usado na fase inicial da doença de Parkinson como monoterapia ou quando surgem as flutuações motoras, como o fenômeno de wearing off, quando o paciente relata que necessita antecipar a próxima dose da medicação por que ocorre a diminuição do seu efeito”, explica a neurologista da  Universidade  Federal  de  São  Paulo, Roberta Arb Saba.

Os estudos PRESTO e LARGO comprovaram que a rasagilina usada em conjunto com a levodopa diminui as dificuldades motoras. O estudo LARGO com 687 pacientes demonstrou que a rasagilina reduziu o tempo “off” (intervalo em que termina o efeito do levodopa e os sintomas voltam a aparecer) em uma hora, sem aumentar os movimentos anormais conhecidos como discinesias. Esse estudo também comprovou uma melhora significativa no congelamento de marcha e instabilidade postural (sintoma incapacitante que afeta mais de 50% dos pacientes). “Esses resultados mostram que o tratamento pode trazer benefício aos pacientes que apresentam flutuações motoras”, continua Roberta  Saba. Já o estudo PRESTO envolveu 472 pacientes e demostrou que a rasagilina aumentou o período de “on”.

Um terceiro estudo, TEMPO, com 404 indivíduos, concluiu que rasagilina é eficaz como tratamento único inicial em pacientes nos doentes. Eles foram acompanhados por seis anos e 47% permaneceram com o avanço dos sintomas controlado apenas tomando a rasagilina. “Essa pesquisa demonstrou que a rasagilina melhora a função motora, principalmente em relação a tremores e a lentidão dos movimentos, o que resulta em mais autonomia nas atividades comuns diárias dos pacientes”, explica a professora de Neurologia.

Leia a bula.

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