OMS recomenda aprender a comer carboidratos e não bani-los

Revisão histórica conclui que cortar os carboidratos prejudica a ingestão de fibras, aumentando os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes e até câncer

Por Karolina Vieira

Depois de comparar mais de 200 estudos realizados ao longo das últimas duas décadas, uma revisão histórica encomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que cortar definitivamente o carboidrato da dieta pode aumentar em até 30% o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras. Isso porque ao restringir a ingestão do nutriente também é reduzido o consumo de fibras, presente, por exemplo, em frutas, verduras e alimentos integrais.

Divulgado pela revista científica The Lancet, o levantamento tinha o objetivo de orientar novas diretrizes acerca da ingestão de fibras, mas acabou constatando que a grande maioria das pessoas não tem consumido o nutriente em quantidade suficiente. Para a nutricionista esportiva Maíra Azevedo, esse dado é realmente alarmante já que uma alimentação pobre nesse nutriente também traz prejuízos imediatos.

carboidratos
Nutricionista Maira Azevedo alerta para os riscos das dietas pobres em carboidratos

A atual deficiência de fibras estaria relacionada à popularidade de regimes alimentares que prometem resultados rápidos mediante restrição total de carboidratos. Além de empobrecer as refeições do adepto durante a realização da dieta, o processo tende a reeducar muitos indivíduos para uma visão negativa do nutriente, fazendo com que eles sigam evitando carboidratos mesmo após o período de restrição.

Outro fator reside na dificuldade de se conseguir a quantidade diária ideal de fibras. Segundo especialistas da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e da Universidade de Dundee, na Escócia, seria adequado consumir 25 g de fibras por dia. Ainda assim, Maíra ressalta que existem dois tipos distintos de carboidratos e que, ainda assim, é possível aumentar a ingestão de fibras sem exagerar deles.

Assim, muito mais do que banir os demonizados carboidratos e com eles boa parte das fibras, é importante alcançar hábitos alimentares equilibrados que garantam a ingestão adequada de cada nutriente. “Quando falamos em carboidrato, devemos levar em consideração que existem os refinados e os complexos (esses possuem mais fibras). Mesmo assim, aumentar o consumo de fibras não implica em consumir mais carboidratos. Tudo depende da fonte escolhida. Folhagens, por exemplo, são ótimas fontes de fibras e não possuem quase nada de carboidrato”, tranquiliza a especialista.

Os resultados de mais de 185 estudos e 58 ensaios clínicos compilados na revisão histórica revelaram que, no longo prazo, o consumo regular de fibras pode diminuir de 15% a 30% a mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares. A ingestão do nutriente também é responsável por diminuir de 16% a 24% doenças coronárias, derrames, diabetes tipo 2 e câncer colorretal.

Além disso, Maíra Azevedo explica que a presença das fibras na alimentação também desencadeia benefícios imediatos como o auxílio no controle glicêmico – tornando mais lento o processo de absorção dos carboidratos e evitando picos de glicose e de insulina -, melhoria do funcionamento intestinal e estímulo do crescimento de bactérias benéficas ao organismo, controle dos níveis de colesterol diretamente relacionado à do risco de doenças cardiovasculares e ainda contribuem para a perda de peso. Por isso, antes de submeter-se a regimes alimentares drásticos segue sendo imprescindível a consulta a um profissional capacitado.

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