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Oncologistas temem boom de casos avançados de câncer pós-pandemia

Oncologistas temem boom de casos avançados de câncer pós-pandemia

Pacientes têm deixado de receber diagnósticos e 70% das cirurgias oncológicas foram adiadas desde abril. Entidades lançam a campanha #OCâncerNãoEspera para conscientizar a população

Por Karolina Vieira

Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, apontam que entre março e maio de 2020 houve redução de 70% das cirurgias de câncer no Brasil e a estimativa é de que de 50 a 90 mil pessoas deixaram de receber o diagnóstico da doença. No momento de pandemia, muitas pessoas estão preocupadas com a contaminação com o novo coronavírus que deixaram de lado os cuidados com outras doenças.

“Nós temos uma noção desse fluxo, dessa quantidade de diagnósticos por mês e esses números caíram drasticamente, o que vai causar impacto depois. Então, realmente, o que esperamos pós-pandemia é uma onda de doenças avançadas porque a fase de diagnósticos precoce está sendo perdida para muitos pacientes”, afirma a oncologista Danielle Laperche.

Pensando nisso, algumas entidades deram início à campanha #OCâncerNãoEspera que está sendo divulgada nas redes sociais por artistas e famosos, como a cantora Ivete Sangalo.

“Quando falamos de câncer cada dia importa, o diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico e, para os pacientes em tratamento, o abandono do acompanhamento também causa mudanças no prognóstico da doença. Precisamos da aderência dos pacientes oncológicos porque pelo medo da COVID-19 as pessoas estão correndo risco de morte por outras doenças. O câncer não espera mesmo, ele vai evoluindo e, quando o doente resolver procurar o atendimento, terá um diagnóstico muito mais grave do que poderia ser diagnosticado no início”, lamenta a médica.

Exames de rotina também diminuíram
Os exames de rotina de prevenção também reduziram em quantidade expressiva e, com isso, reduziram também as consultas com cirurgiões que fazem os diagnósticos. “Temos uma cadeia de redução de atendimentos e, consequentemente, de redução de diagnósticos. O que está acontecendo é um represamento desses diagnósticos e, por isso, o aumento do número de casos é esperado. Sabemos que esses casos não pararam de surgir na pandemia, mas pararam de ser diagnosticados. Então nós teremos um boom de diagnósticos quando forem retomadas as consultas, exames preventivos e acompanhamentos. O que estamos fazendo agora é tentar minimizar esse impacto através da otimização das medidas preventivas e continuar com as ações de conscientização da população”, explica a oncologista Danielle Laperche.

Orientações para a população e pacientes em tratamento
Para a população em geral, a orientação é não abandonar o rastreamento da doença. Ir às consultas regulares com especialistas e manter os exames em dia é essencial. “Para os pacientes em tratamento, pedimos que não abandonem porque isso vai ter impacto no prognóstico oncológico e o que aguardamos para o pós-pandemia é bem complexo. Durante a pandemia, priorizem o distanciamento social, usem máscaras e estejam muito atentos à higienização das mãos, sempre fazendo uso de álcool gel.

Nos consultórios, todas as medidas de precaução estão sendo tomadas para prevenir efetivamente a contaminação. Pacientes em quimioterapia estão fragilizados e são os que tem mais risco de complicações da COVID-19, no caso de infecções virais, mas os que já concluíram seu tratamento têm o mesmo risco da população em geral. Com tudo isso esperamos não deixar a doença progredir enquanto os pacientes estão preocupados com a COVID-19”, finaliza Danielle.

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