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Panorama mundial das vacinas contra o novo coronavirus

Panorama mundial das vacinas contra o novo coronavirus

Saiba quais são as vacinas mais promissoras ao redor do mundo e como o Brasil está se posicionando nesta corrida

Texto: Alice Galvão

Foto: Bicanski/Pixnio

O mundo inteiro está com os olhos voltados para o desenvolvimento das potenciais vacinas contra a covid-19, enquanto conta as perdas humanas, os prejuízos econômicos e o aumento das mazelas provocadas pelas desigualdades sociais.

No último dia de julho os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) já contabilizavam mais de 17 milhões de casos confirmados mundialmente, com o número total de mortes chegando a 668.910.

Segundo a contagem da agência de notícias Reuters na América Latina, no primeiro dia do mês de agosto, as mortes pelo coronavírus chegaram a 200 mil pessoas, com números recordes no Brasil, Argentina e Colômbia. Dados do Ministério da Saúde contabilizam 93.563 casos de óbitos acumulados no Brasil, que é o segundo país do mundo mais afetado pela Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, onde os óbitos já ultrapassam 150 mil.

Com o número de casos e óbitos crescendo exponencialmente, a ciência vem trabalhando em um ritmo acelerado, aproveitando etapas de desenvolvimento de pesquisas que já foram realizadas com foco em outras doenças. Segundo o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino, a urgência de uma vacina para a SARS-CoV-2 poderá reduzir o tempo tradicional de desenvolvimento da vacina, de aproximadamente 10 anos, para um período de 12 a 18 meses. De acordo com a OMS, são mais de 130 vacinas em desenvolvimento ao redor do mundo.

Pesquisas chinesas

Apesar de ter saído na frente nas pesquisas para desenvolvimento da vacina contra o coronavírus, a China enfrenta atualmente o desafio de levantar a quantidade de participantes necessários para a validação dos testes que garantem a regulamentação do medicamento na fase III. De acordo com a revista científica interdisciplinar Nature “esses testes geralmente requerem dezenas de milhares de participantes e, com o surto na China amplamente sob controle, as empresas estão tendo que testar suas vacinas em outros lugares. Mas os pesquisadores dizem que ainda podem ter dificuldade para inscrever tantos participantes e empregar profissionais de saúde suficientes para coletar dados”.

Testes nos EUA

No primeiro dia de agosto a agência EFE reportou que as farmacêuticas Sanofi (francesa) e GSK (Reino Unido) fecharam acordo com o governo dos EUA para financiamento das suas pesquisas. Segundo a agência “a empresa francesa está liderando o desenvolvimento clínico e os procedimentos de registro da imunização e planeja realizar os estudos entre setembro e o final de 2020”, com previsão de aprovação regulamentar no primeiro semestre de 2021.

No Brasil

Por aqui, a Agência Brasil divulgou que “a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, e a farmacêutica britânica AstraZeneca assinaram no último dia de julho um termo que dará base para o acordo de transferência de tecnologia entre os laboratórios e a produção de 100 milhões de doses da vacina ChAdOx1 nCoV-19, contra a covid-19, caso seja comprovada a sua eficácia e segurança. O medicamento está sendo desenvolvido pela empresa do Reino Unido em conjunto com a Universidade de Oxford e já está em fase de testes clínicos no Brasil e em outros países”.

De acordo com o Ministério da Saúde o trabalho será desenvolvido na unidade de Bio-Manguinhos, terá incorporação de tecnologia brasileira e produção local, bem como acompanhamento de um comitê técnico-científico com a participação de especialistas da Fiocruz e de instituições como as universidades de São Paulo (USP) e as federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Goiás (UFG).

Em julho a chinesa SinoVac Biotech, em parceria com o governo de São Paulo, por meio do Instituto Butantan, também lançou um estudo de fase III de sua vacina no Brasil, a CoronaVac, com o recrutamento de 9 mil profissionais de saúde.

Outra vacina que terá sua fase 3 iniciada no Brasil é a da farmacêutica chinesa Sinopharm, em parceria com o governo do Paraná, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Assim como no caso da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a Fiocruz, o acordo com a Tecpar prevê que a aprovação da vacina permitirá transferência de tecnologia para produção local. Em breve a parceria entre a norte americana Pfizer e a alemã BioNTech também testarão sua vacina BNT162b2 em fase 2 e 3 no Brasil, que fará parte de uma amostra de aproximadamente 30 mil pessoas.

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