Pesquisa identifica substância capaz de acelerar o metabolismo

Citocina induz termogênese associada ao tecido adiposo marrom, tipo de gordura corporal capaz de aumentar o gasto energético corporal

Estudo publicado recentemente na revista Lancet-EbioMedicine identificou uma substância que se desenvolve no interior do organismo capaz de ativar o tecido adiposo marrom – aquela gordura corporal capaz de acelerar o metabolismo e diminuir peso.

Com este resultado, abrem-se novas perspectivas para o desenvolvimento de fármacos que possam aumentar o gasto energético por induzir a termogênese, que é o desenvolvimento regular e contínuo do calor nos seres vivos, favorecendo o tratamento para quem sofre de obesidade, doença crônica e já considerada epidemia mundial, além de outras dislipidemias, como o diabetes.

“Nesse estudo, utilizamos um modelo animal transgênico que não expressa a interleucina-10 (IL10), que é a principal citocina anti-inflamatória do nosso organismo. A falta dessa citocina, tanto em humanos quanto animais, gera um estado de inflamação sistêmica crônica. Ao estudarmos os camundongos sem ela, notamos que eles apresentavam um importante defeito na regulação da termogênese do tecido adiposo marrom”, comenta Dr. Lício Velloso, endocrinologista que conduziu a pesquisa e que vai palestrar sobre o assunto durante o 13° Congresso Paulista de Endocrinologia e Metabologia – COPEM, evento organizado pela SBEM-SP e que reúne os principais endocrinologistas do Brasil.

De acordo com Dr. Velloso, ao estudar os pacientes obesos e com diabetes tipo 2, observou-se que havia uma relação direta entre a atividade do tecido adiposo marrom e os níveis sanguíneos da citocina.

“Verificamos em cobaias animais se a IL10 seria importante na regulação da termogênese num período da vida em que existe grande instabilidade térmica, o neonatal. Nesse experimento, camundongos recém-nascidos foram tratados com um anticorpo imunoneutralizador anti-IL10 e em seguida expostos a uma temperatura de 4°C. Enquanto 80% dos animais controle foram capazes de manter a temperatura corporal estável na exposição ao frio, 100% daqueles submetidos à inibição da IL10 desenvolveram hipotermia grave”, explica o endocrinologista e pesquisador.

A identificação de tecido adiposo marrom em seres humanos adultos intensificou pesquisas voltadas à busca de fatores farmacológicos, nutricionais ou comportamentais que possam promover o aumento do gasto energético por induzir a termogênese. “Tais fatores são úteis como adjuvantes no tratamento da obesidade e outras doenças metabólicas como diabetes e dislipidemias”, finaliza o médico.

Antes dessa pesquisa, somente três fatores apresentaram comprovada capacidade de ativar o tecido adiposo marrom: atividade física, exposição ao frio e consumo de capsaicina (composto químico das pimentas), cuja potencialidade terapêutica ainda precisa ser comprovada.
Além de 22 simpósios que abordarão desde doenças frequentes como obesidade, diabetes e câncer de tireoide, até doenças que causam infertilidade, o 13° COPEM terá 11 conferências com os principais pesquisadores de São Paulo.

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