Síndrome do ombro congelado: o que é e como tratar

Capsulite adesiva, mais conhecida por síndrome do ombro congelado, tem maior incidência também em pacientes com diabetes

Por Nívea Mendonça, de Campinas/SP

Popularmente conhecida como síndrome do ombro congelado, a capsulite adesiva do ombro é uma doença causada por um processo inflamatório dentro da articulação, com enrijecimento da musculatura e dificuldade para movimentar o ombro – principal característica da doença. Incidente em cerca de 3 a 5% da população geral, afeta principalmente mulheres (entre 45 e 65 anos) e costuma provocar muita dor, que pode irradiar para o pescoço.

Normalmente, o ‘ombro congelado’ acomete apenas um dos braços, mas, em casos mais raros, pode chegar a comprometer os movimentos de ambos os membros. “Ainda sem causas totalmente conhecidas, a doença pode afetar até 20% das pessoas com diabetes”, explica o médico endocrinologista Walter Minicucci, Presidente do Departamento Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Embora essa não seja uma doença incomum, muitos pacientes sofrem com o diagnóstico tardio. O exame físico é essencial para o diagnóstico precoce. Mas, como a maior parte dos pacientes só descobre a doença depois de muito tempo, exames de imagem como radiografia e ultrassonografia, ou até ressonância magnética, podem ser indicados pelo médico, principalmente para excluir outras causas para as dores.

Relação com diabetes

A capsulite adesiva do ombro pode aparecer tanto em portadores do diabetes tipo 1, quanto do tipo 2, mais frequentemente em pessoas idosas e com maior tempo da doença. A relação entre o ombro congelado e o diabetes ainda não é precisa, mas cientistas acreditam que esteja associada ao excesso de glicose acumulada nos ombros; isso faz com que as fibras de colágeno se “colem” e restrinjam o movimento.

Na maioria dos casos, o tratamento pode ser feito através de fisioterapia e anti-inflamatórios. “Quando essas medidas não são suficientes, entram em cena outros tratamentos mais agressivos com aplicação de injeção de corticoides dentro da articulação do ombro e, em último caso, uma cirurgia ortopédica por artroscopia”, esclarece o médico. “Como os corticoides aumentam os níveis de glicose no sangue, para pacientes diabéticos o ideal é evitar essas medidas mais ‘drásticas’”, completa Dr. Walter, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Conheça as fases dos sintomas da capsulite adesiva:

A síndrome do ombro congelado é considerada uma doença auto-limitada, ou seja, mesmo sem nenhuma interferência, a maioria dos pacientes acabará curada, mas isso pode levar até 3 anos com limitações nos movimentos e muita dor. “Muitas vezes os sintomas interferem em tarefas básicas do dia a dia, como dirigir, vestir-se sozinho ou até colocar a mão no bolso traseiro da calça. Por isso, é recomendado buscar auxílio médico logo no início dos sintomas, para evitar este tipo de complicação”, aconselha o médico endocrinologista.

Na primeira fase da doença, chamada de ‘congelamento’ ou ‘fase dolorosa’, aparecem os primeiros sintomas. Em geral, é a dor no ombro, que aumenta com o movimento e piora à noite, principalmente ao deitar-se sobre o lado afetado. Muitas vezes, o paciente não busca tratamento nesta fase, pois pensa que a dor com o tempo vai passar. Com a intensificação dos sintomas, há uma progressiva perda do movimento. Este estágio costuma durar de 3 a 9 meses.

Na segunda fase, transitória, a dor começa a diminuir, mas a amplitude do movimento do ombro é limitada. Os músculos ao redor podem atrofiar um pouco, devido ao desuso. Este estágio dura de 4 a 12 meses.
Só na terceira fase, de ‘degelo’ ou recuperação, a condição começa a apresentar melhora, com restauração gradual do movimento entre 12 e 24 meses. Mesmo assim, aproximadamente 5% dos pacientes precisarão de cirurgia para restaurar a movimentação.

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