Técnicas ultrapassadas podem piorar pós-operatório de cirurgias

Estudos confirmam que a terapia manual é mais eficaz no pós-operatório, para recuperar o tecido que foi lesionado na cirurgia estética ou reparadora

Por Karolina Vieira

As cirurgias plásticas ganham cada vez mais adeptos e se tornaram muito comuns por causa de novas técnicas e tecnologias que ajudam a melhorar resultados. Porém, o pós-operatório ainda é feito com drenagens linfáticas, massagens e o uso de aparelhos de ultrassom ou radiofrequência. Mesmo que essas técnicas ainda sejam amplamente utilizadas como soluções estéticas, seu uso na reabilitação pós-cirúrgica já é contraindicado há algum tempo.

O assunto teve posicionamento definitivo na I Jornada de Fisioterapia em Cirurgia Plástica Estética e Reconstrutiva, realizada no Rio de Janeiro em abril de 2018 no evento que reuniu fisioterapeutas e cirurgiões plásticos renomados do Brasil e foi um marco na definição da prática da fisioterapia para reabilitação pós-cirúrgica. O evento no Rio reuniu casos clínicos e estudos científicos que mostram a eficácia da terapia manual no tratamento de intervenções cirúrgicas, contraindicando as drenagens linfáticas, massagens e o uso de aparelhos de ultrassom ou radiofrequência no pós-operatório.

Em Goiânia, a fisioterapeuta dermatofuncional e especialista em Linfoterapia formada em Bruxelas, Jéssika Campos, já é adepta da terapia manual e é pioneira em Goiás aplicando a técnica na reabilitação tecidual no pós-operatório imediato, já dentro do centro cirúrgico. “O objetivo principal da fisioterapia no pós-operatório é reorganizar as estruturas dos tecidos, devolvendo funcionalidade e flexibilidade, favorecendo o metabolismo normal do paciente”, explica a fisioterapeuta.

pós operatório
Jessika Campos, fisioterapeuta dermatofuncional alerta para os riscos de tratamentos ultrapassados (Foto: Divulgação)

Depois da agressão cirúrgica, o organismo inicia o processo de cicatrização, uma série de respostas defensivas buscando restaurar o tecido que foi lesado, começando pela formação de um coágulo inicial causado pelo sangramento e que atrai células inflamatórias e outras substâncias responsáveis pelo restante do reparo. O processo continua com a formação do novo tecido (tecido cicatricial) para preencher os espaços lesados que, quando não reabilitado adequadamente ficam desorganizados, rígidos e sem mobilidade, as chamadas “fibroses” tornando o aspecto da pele irregular e inestético. Quando essas fibroses levam à falta de mobilidade dos tecidos, caracterizam “aderências” e quando a pele é repuxada por um tecido cicatricial adjacente, a “retração”. Essa falta de maleabilidade provoca dor e limitação e o processo total de reparo dura em torno de 25 a 40 dias.

Segundo Jéssika, a técnica drenagem linfática – que busca eliminar o acúmulo de líquidos do corpo – é uma opção limitada para o paciente que passou por uma intervenção tão séria com extenso descolamento dos tecidos subcutâneos, neste caso o paciente precisa de reabilitação tecidual durante a todas as fases de cicatrização. “Os tecidos sofrem um trauma mecânico e evoluem com a formação de tecido cicatricial com estrutura alterada precisando ser reorganizado para que se obtenham resultados estéticos e funcionais. Todas as fases do processo de cicatrização devem ser respeitadas e tratamentos que tenham o efeito fisiológico de incentivar a formação de colágeno, por exemplo, na verdade estarão formando ainda mais tecido cicatricial, produzindo e até agravando as fibroses”, explica a especialista.

Além disso, a fisioterapia no intra-operatório – dentro do ambiente cirúrgico -, ganha destaque no tratamento pós-operatório, equilibrando e auxiliando as fases do processo de cicatrização. “Após a cirurgia, o paciente pode apresentar comprometimento respiratório, funcional, dores musculares, articulares e dificuldade de realizar alguns movimentos, mesmo depois de meses após a cirurgia. Isso ocorre devido à limitação no pós-operatório imediato, como as posturas antálgicas que precisam ser adotadas. Só o fisioterapeuta é capaz de para avaliar a função neuromioarticular do paciente, prevenir e detectar esses possíveis comprometimentos e usar a abordagem certa para isso, como por exemplo, as mobilizações articulares e cinesioterapia”, finaliza Jéssika.

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