Tratamento minimamente invasivo para refluxo

Terapia por Estimulação Elétrica do Esfíncter Inferior – Endostim, liberado pelos órgãos reguladores, já possui pacientes brasileiros

Um dos problemas mais comuns do aparelho digestivo, presente em mais de 20% da população brasileira, segundo dados da Faculdade de Medicina da USP, é o refluxo gastroesofágico. Os principais sintomas são a queimação, a regurgitação e a azia. O refluxo do ácido gástrico para o esôfago costuma produzir queimaduras na parte interna do esôfago e, se não houver tratamento adequado, as paredes podem ficar tão machucadas que há um aumento das chances de se ter complicações como úlceras, e até mesmo um câncer no esôfago, por exemplo. Uma alternativa que têm trazido resultados muito satisfatórios em regiões como Ásia, Europa e alguns países da América Latina, e que chegou ao Brasil recentemente, é a Terapia por Estimulação Elétrica do Esfíncter Inferior – Endostim.

A técnica consiste na implantação do dispositivo, de forma minimamente invasiva, na região do esfíncter inferior do esôfago para a sua estimulação elétrica a fim de corrigir problemas no seu funcionamento. Esse esfíncter é responsável por impedir que os alimentos e líquidos voltem em direção ao esôfago, sendo que quando está defeituoso produz a Doença do Refluxo Gastroesofágico. “O tratamento estimula o Esfíncter a se contrair fazendo com que o Refluxo não ocorra. Existe alguma similaridade com o mecanismo de ação do marcapasso cardíaco. Atualmente, o EndoStim é o único equipamento que estimula diretamente o Esfincter e já tem quatro anos de acompanhamento trazendo resultados efetivos e duradouros para quem sofre com o refluxo crônico”, afirma o Prof. Dr. Richard Gurski, Doutor em Doenças Esôfago-Gástricas, Professor de Cirurgia da UFRGS, Diretor do Instituto do Aparelho Digestivo do Rio Grande do Sul e do Centro do Refluxo, e um dos médicos credenciados no Brasil para a realização do procedimento.

Outro ponto interessante sobre o tratamento é sua capacidade de ajuste por meio de um programador de telemetria após a cirurgia, caso persista algum sintoma. “Além disso, é o único tratamento que objetiva restaurar a função do esfíncter esofágico sem mudança anatômica. Os trabalhos clínicos sobre o EndoStim demonstram que 90% dos pacientes que fizeram a implantação não tomam mais medicação de uso crônico. Atualmente há 650 pacientes tratados no mundo e a expectativa é de realizar cerca de 50 procedimentos ainda esse ano no Brasil”, completa Gurski.

Seis pacientes brasileiros passaram recentemente pelo procedimento. Entre eles está a advogada, Mariane Maffessoni. “Eu já não tinha vida social em função do refluxo. Tudo que eu comia ou bebia me trazia os sintomas do refluxo e eu passava mal. A partir da realização do procedimento já consegui me alimentar normalmente sem sentir azia, regurgitação ou qualquer outro mal estar. Minha vida mudou drasticamente para melhor”, conta.

Outro paciente, que passou pela terapia há dois anos, é o brasileiro, que reside na Argentina, Sebastian Garcia. “No meu caso, passada a operação já não sentia mais nada. Tenho uma vida normal novamente, consigo comer e beber qualquer coisa e não sinto mais aquela acidez que tanto me atrapalhava. Consigo dormir bem à noite e não tomo mais nenhum medicamento. Foi uma mudança geral”, conta.

Além de Porto Alegre, os tratamentos com EndoStim estão sendo oferecidos também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis e Ponta Grossa, por especialistas treinados no Brasil e no exterior. Além disso, a EndoStim só aprovará a realização de procedimentos mediante análise de exames específicos que comprovem o refluxo.

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