Em uma mudança sutil, mas de grande impacto para milhões de usuários, a Apple Inc. vai restringir a forma como os iPhone e Apple Watch compartilham redes Wi-Fi na União Europeia com o lançamento do iOS 26.2 e watchOS 26.2, previsto para antes de 31 de dezembro de 2025. A decisão, confirmada pela empresa ao jornal francês Numerama em 19 de novembro de 2025, não é um simples desligamento — é uma reestruturação completa, forçada pelo Digital Markets Act (DMA), a lei europeia que exige que grandes plataformas tecnológicas abram seus ecossistemas para concorrentes. O que antes era automático: ao conectar seu iPhone a uma rede Wi-Fi, seu relógio também se conectava — agora, só vai funcionar para redes futuras. As históricas? Sumiram. E isso vale para 150 milhões de pessoas em países como Portugal, França, Alemanha e Espanha.
Como funcionava antes — e por que mudou
Antes do iOS 26.2, quando você configurava um novo Apple Watch ou o redefinia, todo o histórico de redes Wi-Fi salvas no iPhone era copiado automaticamente para o relógio. Era conveniência pura: chegar em casa, o relógio se conectava sem você tocar em nada. Mas essa praticidade escondia um problema para a União Europeia: era um monopólio silencioso. A Apple controlava totalmente o fluxo de dados entre seus próprios dispositivos, enquanto empresas como Samsung, Fitbit ou Garmin — mesmo que tivessem relógios inteligentes — não tinham acesso igual. O DMA, aprovado em março de 2023 e com regras mais duras entrando em vigor em dezembro de 2025, exige que gatekeepers como a Apple não apenas permitam, mas ofereçam aos concorrentes o mesmo nível de acesso. Não mais "você pode usar meu Wi-Fi se for um Apple". Agora, todos devem ter a mesma chance — ou nenhuma.A nova ferramenta: Wi-Fi Infrastructure
A Apple não simplesmente cortou o recurso. Ela criou uma saída elegante — e controversa. Lançou o Wi-Fi Infrastructure, um novo framework com APIs públicas, mas restritas geograficamente. Só aplicações instaladas na União Europeia poderão usá-lo para compartilhar credenciais de rede entre dispositivos. O que isso significa? Que um fabricante de smartwatch, por exemplo, pode agora pedir permissão ao usuário para acessar a rede Wi-Fi do iPhone — mas só se o iPhone estiver na UE. E só para redes que forem conectadas depois da atualização. As redes antigas? Não passam. É como se a Apple dissesse: "Você pode entrar pela porta da frente, mas a janela do fundo está fechada para sempre".Um movimento estratégico, não uma capitulação
A Apple não está cedendo. Está negociando. E isso não é novidade. Em março de 2024, com o iOS 17.4, a empresa já havia introduzido lojas de aplicativos alternativas na UE — mas manteve restrições severas, como proibir que apps baixassem atualizações fora da App Store. O mesmo padrão se repete aqui: em vez de abrir totalmente o ecossistema, a Apple criou uma versão "moderada" do acesso, que atende à lei, mas preserva seu controle sobre a experiência de segurança e privacidade. "Achamos que o processo exigido pela UE é desproporcionalmente caro e sufoca a inovação", disse um porta-voz da empresa em entrevista não divulgada ao público, mas citada por jornalistas da região. A preocupação é real: se qualquer app pudesse acessar sua rede Wi-Fi sem restrições, o risco de vazamentos ou ataques aumenta. A Apple não quer ser o vilão da privacidade — mas também não quer ser obrigada a abrir suas portas como um supermercado.
Impacto real para os usuários
Na prática, o que muda para você? Se você comprou um Apple Watch novo em janeiro de 2026, e seu iPhone já estava conectado a 47 redes Wi-Fi — todas elas desaparecerão da lista do relógio. Você precisará, manualmente, entrar em Configurações > Wi-Fi no Apple Watch e digitar a senha da sua casa, do escritório, da academia. Não há mais "sincronização inteligente". Mas há uma vantagem: se você conectar seu iPhone a uma nova rede — digamos, o café da esquina — e seu relógio estiver por perto, ele se conectará automaticamente. É um meio-termo: menos conveniência histórica, mas ainda alguma automação futura. Para quem viaja muito, isso pode ser um incômodo. Para quem valoriza privacidade, talvez um alívio.Por que isso importa além da UE
Essa mudança não é só sobre Wi-Fi. É um sinal de que a Europa está ganhando terreno na regulação tecnológica global. A Apple já adiou o lançamento do Apple Intelligence por oito meses na UE, recuou em recursos como SharePlay e iPhone Mirroring, e agora reformula um recurso cotidiano. Isso mostra que a DMA não é um aviso vazio — é uma força viva. E outras empresas, como Google e Microsoft, estão observando de perto. Se a Apple, a mais fechada das grandes, está se adaptando, o que impede que outras sigam o mesmo caminho? O modelo europeu está se tornando o padrão. Países como Brasil, Canadá e Japão já discutem leis similares. O que acontece na UE hoje pode ser o que acontece em São Paulo amanhã.
O que vem a seguir
A Apple prometeu que o iOS 26.2 e watchOS 26.2 serão lançados antes de 31 de dezembro de 2025. Mas ainda há dúvidas: será que os fabricantes de dispositivos externos vão adotar o Wi-Fi Infrastructure? A maioria ainda não respondeu. E o que acontece se um usuário migrar de um país da UE para fora? O histórico de redes volta? A Apple ainda não explicou. Enquanto isso, especialistas em segurança já alertam: o novo framework pode ser explorado por apps maliciosos que se passam por legítimos. A Apple diz que só aplicações aprovadas pela App Store poderão usá-lo — mas a história já mostrou que aprovação não é sinônimo de segurança absoluta.Frequently Asked Questions
Como faço para conectar meu Apple Watch a uma rede Wi-Fi que já estava salva no iPhone antes da atualização?
Você precisará inserir manualmente as credenciais da rede no Apple Watch. Acesse o app "Configurações" no relógio, vá em "Wi-Fi", selecione a rede e digite a senha. O histórico de redes antigas não será transferido, mesmo que o iPhone ainda as tenha salvas. Isso vale apenas para redes conectadas antes da atualização para iOS 26.2.
Essa mudança afeta apenas os usuários da União Europeia?
Sim. A restrição à sincronização de histórico de redes Wi-Fi só se aplica a dispositivos configurados ou redefinidos dentro dos 27 países da UE. Usuários fora da Europa, como no Brasil ou nos EUA, continuarão aproveitando a sincronização completa entre iPhone e Apple Watch, sem alterações.
Por que a Apple criou um framework exclusivo para a UE e não para o mundo todo?
A Apple quer evitar que o modelo europeu se torne global. Ao limitar o Wi-Fi Infrastructure à UE, ela mantém o controle sobre o ecossistema em outros mercados. É uma estratégia de conformidade mínima: cumpre a lei onde é obrigada, mas não expande o precedente. Isso evita pressões semelhantes nos EUA, por exemplo, onde o Congresso ainda não impôs regras tão rígidas.
Essa mudança aumenta ou diminui a segurança dos meus dados?
Do ponto de vista da Apple, aumenta — ao limitar o acesso ao histórico de redes, reduz-se a superfície de ataque. Mas especialistas apontam que o novo framework pode criar novas vulnerabilidades se apps maliciosos conseguirem enganar o sistema de permissões. A segurança real depende de como a Apple monitora e revoga acessos, algo que ainda não foi totalmente esclarecido.
O que acontece se eu mudar de iPhone e usar um novo modelo na UE?
Se você fizer a migração de dados para um novo iPhone na UE, o histórico de redes Wi-Fi ainda não será transferido automaticamente para o Apple Watch. Mesmo que o novo iPhone tenha todas as redes salvas, o relógio só receberá as redes que forem conectadas após a atualização para iOS 26.2. A regra é baseada no momento da configuração do relógio, não do iPhone.
A Apple vai voltar atrás nisso se a lei mudar?
É improvável. A Apple já investiu em infraestrutura para o Wi-Fi Infrastructure e a mudança é tecnicamente simples de manter. Mesmo que a UE relaxe as regras no futuro, a empresa provavelmente manterá o modelo restrito como padrão de segurança — e usará isso como argumento para não expandir o acesso globalmente. O que foi feito para cumprir a lei pode se tornar a nova norma.
Rodrigo Eduardo
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