O Santos finalmente respirou aliviado na noite de sexta-feira, 28 de novembro de 2025. Derrotando o Sport Club do Recife por 3 a 0 no Vila Belmiro, o Peixe deixou a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro Série A 2025 — e fez isso com um gol de Neymar, uma atuação coletiva e uma decisão polêmica do VAR que quase mudou o rumo da partida. A vitória, que elevou o Santos para 41 pontos e a 15ª posição, não foi apenas um alívio técnico: foi um soco no estômago da crise, um sopro de esperança para os torcedores que não viam um resultado assim desde agosto. O Sport, por outro lado, encerrou sua temporada com 17 pontos, matematicamente rebaixado para a Série B — e sem nenhuma emoção no fim da tabela.
Um jogo que quase não aconteceu — ou quase foi anulado
A partida teve um momento que poderia ter virado um pesadelo para o Santos. Aos 25 minutos do segundo tempo, Neymar entrou na área com força, foi derrubado por Matheus Alexandre, e o árbitro principal Felipe Fernandes de Lima apontou para a marca de pênalti. A torcida explodiu. Os jogadores do Santos correram em direção ao centro do campo. Mas então, o árbitro de vídeo, Bráulio da Silva Machado, interveio. Em um áudio divulgado posteriormente pelo GE Globo, ele disse: “Eu vou recomendar uma revisão para que tu analise uma possível interferência no início da jogada por offside”. O que ninguém viu na hora: Zé Rafael, substituto que entrara aos 18 minutos, estava em posição de impedimento quando a bola foi lançada. E, ao se mover para desviar a bola, atrapalhou o zagueiro adversário. A interferência foi mínima — quase imperceptível — mas suficiente para anular o pênalti. O árbitro, após revisar a imagem, disse: “Ele toca no jogador? Então, interferência no adversário por contato? Isso? Interfere no adversário. Ok. Vou reiniciar a partida”. A torcida do Santos gritou, mas não de alegria. De frustração. Ainda assim, o time seguiu em frente.Neymar, o herói que voltou para casa
Neymar não jogou como um astro de Hollywood. Jogou como um jogador que ainda acredita no clube onde começou. Ele foi o responsável pelo primeiro gol, aos 32 minutos do segundo tempo, com um toque fininho, quase de bico, depois de um cruzamento de Guilherme Augusto. Foi o seu 12º gol na temporada — e o mais importante. O segundo veio aos 38, por Barreal, que aproveitou um rebote após uma batida de Arão. O terceiro, aos 44, foi de Soares, que finalizou de cabeça após escanteio cobrado por Schmidt. Todos os gols foram marcados no segundo tempo, e todos foram frutos de uma reorganização tática que César Lucena, o técnico interino, impôs no intervalo. Ele tirou o meia Luan Peres, colocou o volante Arão e deu mais liberdade para Neymar. “Não queríamos jogar contra o relógio. Queríamos jogar contra o Sport”, disse ele ao fim do jogo. O técnico, que assumiu após a saída de Juan Pablo Vojvoda em outubro, ainda não tem contrato definido, mas essa vitória pode ser o trampolim que faltava.Um Sport sem rumo, e um Santos que tenta se reconstruir
Enquanto o Santos tentava escapar da zona de rebaixamento, o Sport Recife vivia sua pior temporada em 20 anos. Com apenas duas vitórias em 35 jogos, o time era o mais fraco da competição. O técnico Ramon Menezes tentou, mas não conseguiu reverter a maré. O goleiro Gabriel voltou após lesão, mas não foi suficiente. O lateral Derck foi afastado por indisciplina — um sintoma da desestruturação interna. O presidente Milton Bivar, que já havia prometido mudanças para 2026, não escondeu o desânimo após o apito final. “A gente sabe que o rebaixamento já estava decidido. Mas isso aqui dói. Dói mais do que qualquer resultado”, disse em entrevista à Rádio Jornal.Já no Santos, a pressão era outra. O presidente Marcelo Teixeira, que assumiu em janeiro de 2025, prometeu uma renovação completa do elenco. A ideia era reconstruir o time com jogadores da base, mas o desempenho em 2025 foi caótico. A vitória contra o Sport foi a primeira em quatro jogos como mandante. Mas foi suficiente. “Isso aqui é o começo. Não o fim”, disse o volante Arão, que completou 100 jogos pelo clube na partida.
O que vem a seguir? Um desafio difícil, mas necessário
Na próxima rodada, o Santos enfrenta o Atlético Mineiro no Estádio Independência, em Belo Horizonte, entre 3 e 5 de dezembro. Um jogo difícil — o Galo está na 6ª posição, com 58 pontos. Mas o Santos não pode mais pensar em empate. Precisa vencer. Se perder, corre o risco de voltar à zona de rebaixamento, caso o Vitória vença o Mirassol. Já o Sport, com nada mais a perder, encara o São Paulo no Estádio do Morumbi, em São Paulo. A partida será apenas uma despedida. Mas uma despedida que pode ser marcada por um gesto: talvez Neymar, que já disse que quer encerrar a carreira no Santos, entre em campo com a camisa do Sport em homenagem — um gesto de respeito, mesmo contra o adversário.Por que isso importa? O peso da tradição
O Santos não é só um clube. É uma memória. É Pelé, é Coutinho, é Zico, é a geração de 2011 que venceu o Mundial de Clubes. É o time que, mesmo nos piores momentos, ainda tem torcedores que acreditam. Em 2025, a equipe foi criticada por gastar milhões em jogadores que não funcionaram. Mas, contra o Sport, o time jogou com alma. E isso, mais do que gols, é o que move a torcida. Ainda que o caminho para a Série A em 2026 seja longo, essa vitória mostrou que o coração do clube ainda bate.Frequently Asked Questions
Como o Santos saiu da zona de rebaixamento com apenas 41 pontos?
O Santos subiu para a 15ª posição com 41 pontos porque o 16º colocado, o Coritiba, tinha apenas 39 pontos na 36ª rodada. Mesmo com um saldo de gols inferior, o número de vitórias (10 após a vitória sobre o Sport) foi o critério de desempate. O Vitória, que poderia ameaçar a posição, perdeu para o Mirassol no mesmo dia, garantindo o lugar do Peixe fora da Z4.
Por que o VAR anulou o pênalti se Neymar foi derrubado?
O VAR anulou o pênalti porque o jogador Zé Rafael, que entrou no segundo tempo, estava em posição de impedimento quando a bola foi passada. Ao se mover para interceptar a defesa, ele atrapalhou o zagueiro adversário — mesmo sem tocar na bola. A regra permite anular a jogada por interferência, mesmo que o pênalti tenha sido cometido depois. A decisão foi técnica, não injusta, mas gerou polêmica por ser quase imperceptível.
Neymar realmente está em condições de jogar a próxima rodada?
Apesar de preocupações com dores na coxa relatadas pela Rádio Craque Neto antes da partida, Neymar não sofreu lesão contra o Sport. O clube liberou um boletim médico confirmando que ele está liberado para enfrentar o Atlético Mineiro. Mas o técnico César Lucena já disse que pode poupá-lo em parte do jogo, caso o placar esteja favorável, para preservá-lo para os jogos decisivos.
O Sport Recife já está rebaixado mesmo antes da última rodada?
Sim. Mesmo com uma vitória nas duas últimas rodadas, o Sport não conseguiria alcançar o 17º colocado, que tem no mínimo 24 pontos. Com apenas 17 pontos e 3 jogos restantes, o clube está matematicamente rebaixado. É a pior campanha da história do Sport na Série A desde 1982, quando o campeonato tinha 20 clubes.
Quem é o técnico interino do Santos e tem chance de ficar?
César Lucena, ex-assistente de Vojvoda, assumiu em outubro com a missão de evitar o rebaixamento. Desde então, o Santos venceu 4 dos 7 jogos sob seu comando, incluindo vitórias contra Corinthians e Sport. O presidente Marcelo Teixeira já sinalizou que, se o time terminar entre os 14 primeiros, Lucena será confirmado como treinador principal para 2026 — mesmo sem experiência como head coach em grandes clubes.
Qual o impacto dessa vitória na história do Santos?
A vitória contra o Sport foi a primeira desde 20 de setembro que o Santos saiu da zona de rebaixamento. É um dos momentos mais importantes da temporada, pois evitou a possibilidade de cair para a Série B pela primeira vez desde 1979. Se o clube conseguir se manter na elite, essa partida será lembrada como o ponto de virada da era pós-Neymar, quando o time começou a se reconstruir com identidade, e não apenas com nomes famosos.