TSE declara Cláudio Castro inelegível por oito anos em votação de 5 a 2

TSE declara Cláudio Castro inelegível por oito anos em votação de 5 a 2

mar, 26 2026

Nesta terça-feira, 24 de março de 2026, o cenário político brasileiro tomou um rumo inesperado. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, em plenário realizado em Brasília, declarar in elegível por oito anos o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, Partido Liberal (PL). O placar final foi de 5 votos a favor da sanção contra 2 em desacordo. A decisão não é apenas uma bronca administrativa; ela define quem pode ou não ocupar cargos públicos até 2030.

Aqui está a coisa séria: a punição conta a partir das eleições de 2022. Isso significa que, tecnicamente, os efeitos se estendem além do mandato atual, bloqueando qualquer tentativa de retorno ao poder no ciclo eleitoral seguinte. Castro renunciou ao governo do estado dia 23 de março, véspera mesmo do julgamento, justificando que precisava desincompatibilizar-se para concorrer ao Senado em outubro. Mas agora, a porta parece trancada.

O Esquema por Trás das Irregularidades

Por que tudo isso aconteceu? A origem da tempestade remonta às Eleições Gerais de 2022. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, houve um uso abusivo do erário público. O ponto central da acusação girava em torno de milhares de contratos temporários firmados na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

São números que impressionam, para dizer o mínimo. Foram contratadas nada menos que 27.665 pessoas sem amparo legal claro, gastando cerca de R$ 248 milhões. A defesa alegava descentralização orçamentária para pesquisa científica, mas o Ministério Público argumenta que era uma forma sofisticada de pagar cabos eleitorais. Imagine transformar folha de pagamento em caixa de campanha. O TSE entendeu essa lógica como captação ilícita de recursos e abuso de poder econômico.

Divergências na Sala dos Ministros

O caminho até este vereduto não foi totalmente liso dentro da justiça eleitoral. A ministra Isabel Gallotti, que relatorou o processo, já havia pautado a condenação em novembro de 2025, antes de deixar a corte. Ela detalhou como a lei sancionada por Castro facilitou essas contratações suspeitas. O ministro Antônio Carlos Ferreira seguiu o entendimento integralmente em 10 de março, votando pela cassação e multas.

Contudo, nem todos concordaram. O ministro André Mendonça votou em divergência parcial. Para ele, as irregularidades eram fatos consumados e impactantes, mas não havia prova suficiente da participação direta de Castro nas condutas mais graves. "Castro colheu os dividendos", disse ele, mas poupou o governador da inelegibilidade plena. A maioria, porém, não seguiu essa linha branda. O TRE-RJ havia absolvido Castro em maio de 2024, mas essa sentença foi anulada após recurso do Ministério Público.

Quem Mais Foi Atingido pela Decisão?

Quem Mais Foi Atingido pela Decisão?

Cláudio Castro não caminha sozinho nesse barco afundado. A decisão também atingiu Rodrigo Bacellar, deputado estadual, antigo secretário de governo. Para Bacellar, a penalidade é dura: retotalização dos votos que resultarão na perda do mandato parlamentar. Ainda cabe recurso, então o cargo não sai imediatamente, mas a perspectiva é clara. O ex-presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes, também perdeu a elegibilidade.

Houve quem fugisse do pior. O ex-vice-governador Thiago Pampolha, que hoje serve no Tribunal de Contas do Estado, foi condenado pelas irregularidades, mas o tribunal considerou que ele só se beneficiou do sistema, sem ter ingerência direta para comandá-lo. Portanto, manteve sua elegibilidade. É uma nuance importante que separa comando de benefício passivo.

O Que Agora para a Carreira Política?

O Que Agora para a Carreira Política?

A bola da vez voltou para o jogo jurídico. Castro confirmou que vai recorrer. Ele mantém a pré-candidatura ao Senado para as eleições de 2026, apostando que conseguirá reverter a decisão antes das urnas abrirem em outubro. Se perder, fica fora da disputa. Enquanto isso, o TSE determinou que o Ministério Público do Rio investigue mais fundo a UERJ e outros gestores. O caso continua gerando ondas de repercussão política no estado fluminense.

Perguntas Frequentes

O que significa ser declarado inelegível por 8 anos?

Significa que o cidadão não pode exercer mandato eletivo, nem se candidatar a cargos políticos durante esse período. No caso de Castro, começa a contar do pleito de 2022, o que estende a proibição até 2030, blindando o sistema contra sua participação imediata.

A decisão anula o mandato atual de Castro?

Não diretamente nesta etapa, pois ele renunciou voluntariamente dias antes do julgamento. Porém, a inelegibilidade impede que assuma qualquer outro cargo eleito, incluindo a vaga ao Senado para a qual planejava concorrer em outubro de 2026.

Rodrigo Bacellar perde o cargo de deputado imediatamente?

A medida ainda depende de retotalização de votos, um procedimento técnico posterior. Como há possibilidade de recurso administrativo ou judicial no momento, a perda do mandato não é automática, mas muito provável se a tese prevalecer.

Qual foi o principal motivo da condenação?

O TSE constatou abuso de poder político e econômico, especificamente através da contratação irregular de 27 mil servidores temporários para servir interesses eleitorais nas eleições de 2022, usando recursos públicos sem finalidade pública real.

Haverá novas investigações sobre o caso?

Sim. Os ministros determinaram que o Ministério Público do Rio deve aprofundar as investigações, focando em possíveis envolvimento de gestores da UERJ e outras entidades que participaram da movimentação financeira irregular apontada no esquema.